Informática, Educação e Exclusão Social
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de agosto de 2002
José Otacílio da Silva 
No mundo contemporâneo assiste-se a um acelerado processo de desenvolvimento da informática que deixa a todos em estado de perplexidade. De um lado, a promessa de que a informática promova o encurtamento do espaço e do tempo que separam os diversos povos e os indivíduos; permita o acesso de todos aos valores e às maneiras de viver até então desconhecidas e, principalmente, possibilite que cada um busque as informações de que necessita, no momento exato de sua curiosidade. De outro lado, o receio de que a informática destrua a estrutura de valores e de maneiras de viver dos indivíduos e dos povos; substitua as práticas pedagógicas instituídas no sistema educacional e, até mesmo, acentue o quadro de exclusão social no País. Diante dessas inquietações, pretende-se argumentar que a informática, em si mesma, não constitui fator de desagregação social e nem tampouco pode ser equiparada a uma prática pedagógica e nem mesmo pode ser considerada como fator de exclusão social.
A informática constitui uma técnica de comunicação utilizada nas relações sociais como instrumento de difusão de informações e, como tal, suas consequências nocivas ou salutares para os homens e para as instituições sociais dependem das predisposições dos indivíduos em produzir e em absorver as informações que circulam nas redes de comunicação informatizada. Neste sentido, a informática tanto pode destruir como pode reforçar valores e modos de vida constituídos ou pode, ainda, contribuir na construção de novos valores e modos de vida universalmente aceitos.
Da mesma forma, a informática - considerada como tecnologia da comunicação - não é um substitutivo das práticas didático-pedagógicas que envolvem a relação entre educador e educando. É verdade que a informática - na medida que possibilita o armazenamento ilimitado de informações em recipientes privados; que possibilita o acesso individual às mais variadas informações e que possibilita até mesmo a comunicação entre diversas pessoas, ao mesmo tempo e em lugares distintos etc. - pode ser utilizada pelos governantes como substituto das instituições e das práticas educacionais tradicionais. Neste caso, os governantes estariam atribuindo à informática um atributo que ela não tem, ou seja, a capacidade de gerar as categorias de percepção necessárias para a obtenção do conhecimento e de criar os laços de afetividade e de sociabilidade que se desenvolvem na convivência que se estabelece entre os membros das instituições escolares.
Por fim, longe de a informática gerar exclusão social, ela pode é contribuir para a inclusão dos excluídos. Quer dizer, uma vez que a informática - enquanto tecnologia de comunicação - permite o acesso de todos a todas as informações necessárias para a vivência social, ela se torna um instrumento imprescindível que contribui para a integração dos indivíduos na sociedade.
Portanto, se o objetivo de todos é promover a inclusão dos excluídos na vida social, cabe á sociedade se organizar para exigir do governo que cumpra a Constituição e ofereça à população o ensino público de qualidade e que, entre outras premências, equipe as escolas públicas com os recursos necessários para a comunicação informatizada.
JOSÉ OTACÍLIO DA SILVA é mestre em sociologia e professor da Unioeste
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