Informalidade é principal alternativa
O número considerável de ex-detentos (20,83%) que opta por ser seu próprio patrão tem mais a ver com desespero do que com espírito empreendedor. ''Voltei a trabalhar como montador autônomo, minha ocupação inicial, porque estava cansado de receber porta na cara. Tenho um nível de vida bom, talvez até melhor do que se tivesse conseguido emprego. Sei de casos de ex-presidiários que são contratados com o salário lá embaixo, justamente porque já passaram pela prisão'', afirma E.R., de Londrina, que montou uma oficina com o cunhado.
J., de 46 anos, passou metade de sua vida em regime fechado por estelionato e furto de veículos. ''Acumulei penas porque fugi da prisão várias vezes'', explica. Logo que obteve a liberdade, há três anos e meio, ele nem cogitou procurar emprego. ''Sabia do preconceito que existia, da ignorância das pessoas.''
J. diz também que passou por uma experiência constrangedora, quando estava em regime semi-aberto e prestava serviço comunitário na biblioteca de uma instituição pública de ensino. ''Fiquei lá um ano e era elogiado por todos, me dava muito bem com os estudantes. Aí, depois de um tempo, abriu uma vaga em concurso público. Ia me inscrever, mas a diretora da biblioteca disse que eu não podia porque tinha sido presidiário. Quer dizer que quando eu trabalhava de graça eu prestava, depois disso, não mais?''
J. abriu um bar, mas diz que pretende fechar o negócio em breve. ''Não gosto do clima de bar. Penso em abrir um mercadinho, algo assim.'' Ele salienta outra dificuldade que ex-detentos têm para conseguir emprego: ''Muitos patrões não querem contratar um empregado sabendo que vão ter que abrir mão dele duas tardes por mês, às vezes mais, porque ele tem que se apresentar ao Patronato ou ao juiz. Mas, claro, as chances já caem por terra quando a empresa pede o atestado de antecedentes criminais''.
NÚMEROS
Escolaridade dos egressos de regime fechado em Londrina
- Analfabetos: 7,41%
- Alfabetizados: 4,63%
- 1º grau incompleto: 50,46%
- 1º grau completo: 6,94%
- 2º. grau incompleto: 13,89%
- 2º grau completo: 11,57%
- Superior incompleto: 1,85%
- Superior completo: 3,24%
Fonte: Patronato Penitenciário de Londrina





