Tem-se falado muito, nos últimos anos, em globalização da economia, mas frequentemente se esquece que essa globalização seria de todo inviável sem a velocidade das trocas de informação proporcionada pelo desenvolvimento da tecnologia das telecomunicações e da informática, e isso porque, antes de ser um conceito econômico, a globalização é um conceito da comunicação, que nos remete à idéia (gestada nos anos 60) da ‘‘aldeia global’’, na qual hoje efetivamente vivemos.
Independentemente dos benefícios e dos malefícios que nos possa trazer (e os trará, uns e outros), há um modelo planetário vitorioso, orientado para a democracia e para o mercado.
Dentro desse panorama, no qual se vão diluindo as fronteiras e as especificidades nacionais, o preço é uma progressiva homogeneização do homem enquanto consumidor, uma internacionalização da demanda e uma padronização cultural - coisas que, somadas, possibilitam, por exemplo, a um neozelandêz comer o mesmo Big Mac que é o consumido pelos japoneses, americanos, búlgaros e brasileiros.
Essa uniformização (que não é algo acabado e universalmente instalado, e sim um processo e uma tendência) não pressupõe, no entanto, uma diminuição da complexidade do conjunto. Na verdade, diria que há, paralelamente a uma tendência à homogenização do homem enquanto ser inserido na coletividade, uma outra que aumenta a sua especificidade enquanto indivíduo.
Cabe ao mercado estar atento a esses extremos e à tensão dinâmica que eles criam, sem o que corre o risco de ver malogrados os seus procedimentos. O êxito, em qualquer esfera da atividade humana, depende hoje, cada vez mais, da posse e da operacionalização das informações, e um bom exemplo disso nos é oferecido pelas bolsas de valores, particularmente sensíveis ao noticiário político e econômico. Dito de outro modo: o êxito depende de um sem-número de variáveis cuja abrangência é cada vez mais ampla, e a compreensão dessas variáveis deve ser proporcionada pela informação.
Como todo sistema complexo, a economia - e tanto mais a economia de caráter global, planetário - possui um alto potencial de entropia. Assim como pequenos insumos podem causar dramáticas diferenças no final de um processo complexo, também no plano econômico existem os equivalentes do ‘‘efeito borboleta’’, ou seja, da noção de que uma borboleta agitando as asas hoje em Pequim influirá no sistema de tempestades de Nova York daqui a uma semana.
Sendo assim (e a experiência o tem demonstrado amplamente), nenhuma informação é desprezível, nenhuma notícia, descartável. Repare quantas histórias de sucesso têm na sua origem, bem como na administração desse sucesso, a capacidade de interpretar com acuidade e utilizar com eficiência variáveis que já se manifestavam, mas que à maioria das pessoas passavam desapercebidas.
A informação, é bem verdade, não fornece, por si só, a garantia de que, graças a ela, alguém se torne mais sagaz, habilidoso e capaz de aproveitar as oportunidades, porém nunca se soube de empreendedor bem-sucedido que também não fosse bem informado.
- REGINA KRACIK TEIXEIRA é jornalista, empresária do ramo editorial e diretora regional da ‘Folha’ em Curitiba.

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