Afirmar-se que denúncias de corrupção influem na escolha do candidato é uma verdade em certos casos, mas não regra. Não é, portanto, um guia seguro no qual os adversários devam confiar. A votação de Lula foi expressiva e quase o levou à vitória já no primeiro turno, mesmo depois da enxurrada de escândalos que envolveram o seu governo. Ninguém mais do que Paulo Maluf teve o nome envolvido em acusações sem conta, ao longo de sua vida política, no entanto ele foi eleito deputado federal com a maior votação do Brasil. Também se elegeram para a Câmara Federal José Genoino, João Paulo Cunha, Waldemar Costa Neto e Ricardo Berzoini, todos envolvidos em denúncias no corolário dos escândalos. Antonio Belinati, prefeito cassado e acusado em grande número de processos por improbidade administrativa, foi eleito deputado estadual entre os primeiros colocados. O contrário aconteceu com José Borba - também entre os implicados no escândalo do mensalão e que renunciara, para poder habilitar-se novamente - que não obteve um só voto, nem o dele próprio. Havia recurso contra sua candidatura mas ele figurava na listagem de candidatos. Outro que voltou ao poder - como senador - foi o presidente cassado Fernando Collor, que teve seu governo impregnado de corrupção e abrigava o mais corrupto dentre os homens fortes de todos os governos, o célebre Paulo César Farias, que acabou misteriosamente assassinado. Gleisi Hoffman, que começou com 2% dos votos no ranking das pesquisas, e sem nenhuma tradição política, quase desbanca o veterano Alvaro Dias. Um fato interessa diretamente a todos os brasileiros: a realização de segundo turno para a Presidência da República; e outro aos paranaenses: a disputa também em segundo round entre Roberto Requião e Osmar Dias. A chegada de Geraldo Alckmin à disputa final foi considerada uma vitória, diante das favas contadas do presidente-candidato, que já se considerava reeleito no primeiro turno, mas analistas fazem as contas e acham que o páreo neste novo turno será duríssimo para o tucano. Porque a diferença de 48% de Lula para seus 41% teria de contar com boa parcela dos votos restantes, dados a Heloísa Helena (cerca de 7%) e a Cristóvão Buarque (quase 3%). Uma vantagem obtida aí - e Lula também tem participação nesse quinhão - não seria suficiente para uma virada, a não ser que Alckmin reverta o comportamento de quem votou em branco ou anulou o voto. Já no Paraná, Osmar Dias dispõe de mais folga de votos que ele pode eventualmente capturar: parte dos 9% dados ao petista Flávio Arns, porém tidos como mais tendentes a debandar para Requião, por questão ideológica; e 8% de Rubens Bueno, estes com mais probabilidade de serem canalizados para Osmar. Teme-se que as duas campanhas - a presidencial e a de governador - descambem para ataques e contra-ataques virulentos, embora esta seja uma oportunidade única para a apresentação de programas de governo, que é o que o eleitorado deseja.

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