Inflação preocupa
A prévia do IPCA-15 (índice oficial de inflação) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz preocupação. O índice acelerou 0,75% neste mês e fechou o ano com alta de 5,85% (percentual ainda abaixo do teto da meta estipulada pelo governo). No entanto, especialistas esperavam uma taxa prévia menor em torno dos 0,65%. Neste início de mês, o reajuste foi puxado pelo aumento dos combustíveis e das passagens aéreas.
Um ponto importante que gera preocupação nos economistas é que o índice foi composto por 1,15% de preços administrados e 7,34% de preços livres, o que significa que a inflação tem sido controlada artificialmente. É o caso dos combustíveis que, apesar do desempenho ruim da Petrobras e da flutuação da cotação do petróleo no mercado externo, só conseguiu autorização para aumentar o preço no mercado interno no final do ano; das tarifas do transporte público, que não foram reajustadas por pressão das mobilizações populares realizadas em julho; e da conta de energia elétrica, que teve o seu valor reduzido, embora o custo tenha aumentado devido ao maior uso das termelétricas. Mais de 70% dos preços pesquisados pelo IBGE aumentaram.
Se todas essas tarifas foram "seguradas" neste ano, em algum momento essa composição terá que ser autorizada. Por enquanto, conseguiu-se empurrar a sujeira para debaixo do tapete, mas em algum momento ela terá que ser retirada. E aí o processo inflacionário ganhará mais força. Em um ano eleitoral, como é o caso de 2014, pode ser que tudo isso seja postergado novamente e que a conta fique para 2015.
Também é preciso atenção para o endividamento das famílias, que chegou ao maior nível já registrado pelo Banco Central (BC). Em outubro, o índice subiu de 45,35% para 45,38%. Embora o aumento seja explicado pelo crescimento do financiamento imobiliário, preços mais altos enfraquecem o consumo porque as famílias dispõem de menos dinheiro para gastar. É preciso que os consumidores fiquem de olho nos preços, pesquisem antes de comprar, fiscalize ações do governo para impedir medidas populistas e eleitoreiras para impedir uma nova escalada de preços.





