Curitiba A indústria da construção civil começa a repassar o aumento no custo dos materiais para o consumidor final. A alta do dólar, principalmente no segundo semestre, teve impacto nos preços dos principais insumos utilizados pelo setor. Os empresários afirmam que eles não podem boicotar os produtos, como algumas redes de supermercados estão fazendo com fornecedores que reajustaram os preços. Com isso, o sonho da casa própria fica cada vez mais distante.
Desde o início do ano, o dólar já se valorizou mais de 50%. O fenômeno ocorreu com maior intensidade no segundo semestre, por causa da incerteza com as eleições e da dúvida dos mercados com a capacidade do Brasil honrar compromissos. No final de julho, pela primeira vez desde 1994, o dólar passou da casa dos R$ 3,00. No dia 10 de outubro, a moeda norte-americana chegou a ser cotada a R$ 4,00.
Foi a gota d'agua para que os fornecedores impusessem vários aumentos. Os principais insumos utilizados pela construção civil foram reajustados, de acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon). O cimento, que já acumulava alta de 14,16% entre janeiro e outubro deste ano, sofreu novo aumento na primeira semana de novembro, acumulando alta de 30% no ano.
O preço do vidro 4mm subiu 5,03% em outubro e acumula reajuste de 35,20% em 2002. O aço teve seu preço elevado em 3,45% em outubro, atingindo 11,11% no ano. De acordo com o diretor do Sinduscon, Erlon Rotta Ribeiro, muitos produtos que não são importados tiveram reajustes porque utilizam algum insumo estrangeiro na composição. É o caso do vidro, do fio de cobre, PVC, alumínio e tintas. Isso resultou em um aumento de 0,35% no Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil no Paraná durante outubro, atingindo R$ 609,93 o metro quadrado no mês de outubro. O índice acumula alta de 8,83% no ano, sendo que apenas no período de julho a outubro a variação foi de 6,50%.
''O aumento dos custos aconteceu de forma constante, mas no começo de novembro isso se acentuou, com aumento de 12% no cimento e de 18% no frete do cimento. Isso é que assustou as construtoras'', afirma Ribeiro. Ele diz que o acréscimo nos custos tem que ser repassado porque as margens de lucro do setor já estão muito baixas. Na semana passada, muitas empresas já refizeram os cálculos das planilhas de gastos e algumas já subiram os preços dos imóveis.
As construtoras afirmam que não têm como substituir os produtos que subiram de preço porque há poucos fornecedores. De acordo com Ribeiro, há muitos monopólios e oligopólios nos setores de cimento, cal, brita, areia, aço e alumínio, entre outros. ''Não há como fazer movimento semelhante como o que os supermercados fizeram porque não há alternativa na construção'', afirmou.

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