Inflação em queda (Editorial)
A inflação dos últimos 12 meses em São Paulo, conforme levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo ficou em 1,87%, a menor registrada desde 1949. Os números levantados pela Fipe não são os do País inteiro mas, de modo geral, a inflação nacional é sempre similar à que se observa em São Paulo de tal modo que é possível considerar de maneira positiva não apenas aqueles números, mas, também, o fato de revelarem que, quatro anos depois do nascimento do real, a economia continua no caminho certo.
Em quatro anos de real, a inflação somou pouco mais de 70%. É um total elevado, sem dúvida, mas à luz de todos os acontecimentos e, principalmente, quando se observa a tendência de queda que foi permanente desde que a atual moeda nasceu, tem-se condições de entender que o projeto de estabilidade continua a funcionar e já sinaliza para aquele sonho, aparentemente utópico, de uma taxa civilizada e contida de inflação. É importante lembrar o passado recente, rememorar a época em que 70% não era a taxa de 4 anos mas de menos de dois meses. Por outro lado, igualmente válido é saber que dos 70% de inflação de quatro anos, 32,31% foram registrados no primeiro ano. Quer dizer, em um ano, o Brasil, no começo do plano de estabilização, marcou a inflação de um mês, antes do Real. Depois, a queda foi persistindo, até chegar ao nível atual que permite, inclusive, prever que até o final do ano o Brasil deve registrar um índice em torno de 2%, com perspectivas de melhorar ainda mais o desempenho em 1999.
Importante também é observar que o resultado que produziu esta queda, em São Paulo, decorreu de uma inflação, em junho, de 0,19%, total atípico para o mês. Resultado que, entre muitas, tem uma explicação fundamental: normalmente, o grande peso da inflação em junho era produzido pelos reajustes das tarifas públicas. Importante sempre lembrar o peso das aludidas tarifas sobre a inflação, em especial na época do Real. Este ano, os reajustes mais pesados já haviam sido feitos e mesmo estes em percentuais menores, com o que a reação geral nos preços foi menor. Nem mesmo os problemas com produtos de alimentação (e arroz e feijão andaram subindo muito nos últimos tempos, reflexo de dificuldades na agricultura) prejudicaram este desempenho.
Na verdade, o que aconteceu com arroz e feijão, agora, e com o óleo de soja há alguns meses, indica como a economia no Brasil está, agora, reagindo conforme os padrões do mercado: houve redução na oferta do óleo de soja, do arroz e do feijão e, como resultado, os preços subiram. Neste momento, já está baixando o preço do feijão, porque o produto volta a aparecer na quantidade necessária. Estas variações são normais e devem, apenas, levar o consumidor a se manter atento, inclusive fazendo as trocas diante de altas, mesmo que justificadas.
De qualquer modo, o importante é perceber que a inflação continua baixando e que, pelo menos em termos de tarifas públicas, está havendo uma ação mais consciente do governo. Nunca será demais repetir que ponderável parcela dos 70% de inflação nos quatro anos de real se deveram a falhas e abusos na administração das referidas tarifas. Mudando a ação do governo em relação aos produtos e serviços de preços controlados, a tendência natural é a de persistir a queda, sem piques e sem sustos. E, diante da tendência que se pode perceber, é possível esperar que medidas de aquecimento, sem cunho inflacionário, indiquem a retomada de esforços para enfrentar o outro desafio, o do desemprego. De fato, este é o melhor momento para a adoção de medidas capazes de mudar o quadro recessivo, garantindo a etapa social do plano de estabilização.





