A inflação oficial está em escalada de alta – com o resultado de julho atingiu 6,83% nos primeiros sete meses do ano, a maior taxa para o período desde 2003 (6,85%) - mas para a população em geral a sensação é que os preços subiram bem mais do que o índice oficial. Famílias e empresas estão pagando bem mais de energia elétrica e de água e ainda há a conta do supermercado, bem mais salgada.
Reportagem de hoje explica o porquê dessa alta. O grupo "alimentação e bebidas" representa 25% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e os mais de 160 itens que compõem esse grupo acumulam inflação de 7,3% de janeiro a julho deste ano. No período o IPCA é de 6,83%, mas no grupo "alimentação e bebidas" está o maior número de produtos que tiveram seus preços reajustados em dois dígitos. Em especial, os hortifrútis.
O País vive um situação peculiar: crise econômica e inflação em alta. E, nesse ponto, entra a cotação do dólar. Com crise de confiança e abalado também por cenários externos, o valor da moeda americana tem atingido sucessivos recordes, o que impacta diretamente no preços dos alimentos no mercado interno. Se a alta do dólar se prolongar será mais difícil reduzir a inflação no próximo ano. Nesse caso, as taxas de juros deverão continuar altas, o que deverá manter as dificuldades para concessão de crédito.
Portanto, o governo precisa agir rápido. A produção industrial continua em queda, assim como o resultado do varejo. Além disso, praticamente todos os indicadores macroeconômicos estão ruins, inclusive com a revisão para baixo do Produto Interno Bruto. É preciso trabalhar intensamente na criação de uma agenda positiva que trabalhe para melhorar esses índices. Corte de gastos e investimentos em obras prioritárias já seriam um bom começo.

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