Inflação e inadimplência
O aumento da inflação registrada no ano passado acabou por refletir na inadimplência. Desde meados de 2012 especialistas já demonstravam esse temor que, por fim, acabou se confirmando. Balanço da Serasa Experian divulgado nesta semana indica que o total de consumidores que deixou de pagar suas contas cresceu 15% com relação a 2011. Só em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2011, o aumento foi de 14,2%.
A explicação dos analistas recai sobre o endividamento da população, que vem num ritmo crescente desde 2010, e que tem comprometido a renda das famílias. No entanto, também não se pode desconsiderar o aumento da inflação, que fechou o ano em 5,84%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e foi divulgado no final da semana.
O aumento de preços corrói a renda dos consumidores porque diminui o seu poder de compra. Além disso, as maiores remarcações ocorreram em produtos básicos, como alimentação e despesas pessoais, onde a economia é mais difícil para as famílias. A partir do maior comprometimento da renda, trabalhadores que têm financiamentos ou empréstimos não conseguem quitar seus débitos, o que alimenta a inadimplência.
O consumo interno tem sido incentivado pelo governo até como forma de combater a crise econômica mundial. No entanto, é preciso cautela para que os preços não voltem a uma escalada, fantasma que ainda ronda a memória dos brasileiros. Com a expectativa de retomada da economia, a partir de um Produto Interno Bruto com crescimento de dois pontos percentuais em 2013 com relação a 2012, a tendência é que todos os indicadores voltem à acomodação. É importante lembrar que inflação e inadimplência altas não interessam a nenhum setor da economia e, por isso, é importante que esses índices voltem a patamares aceitáveis, sob a pena de voltar a comprometer o crescimento do País.





