A seis meses das eleições presidenciais, tudo o que a presidente Dilma Rousseff (PT) não queria era um crescimento mais que esperado da inflação. A divulgação de que a alta de preços em março - que alcançou 0,92% - dobrou em relação ao índice do mesmo período do ano passado foi um alerta para o povo e para o governo. Claro que o cidadão que vai toda a semana no supermercado, feira ou açougue já vinha percebendo há tempos esse desequilíbrio.
Todo mundo sabe que a inflação é a pedra no sapato de qualquer presidente de país que tenta se reeleger. Tanto que em 2013, o Ministério da Economia tentou combater com unhas e dentes as remarcações. O esforço para segurar o preço da gasolina, do transporte público e da energia é um exemplo.
A meta da inflação para 2014 é 6,5%. O ano passado, ela fechou em 5,91%. Analistas econômicos já anunciam que pelas projeções, a taxa estará acima do teto da meta da inflação no período em que o programa eleitoral estará na rua.
O mais preocupante é que os alimentos foram o maior vilão do mês de março. Ou seja, o item ‘’comida dentro de casa’’ atinge a todos, independente da classe social. Pesquisa do Datafolha divulgada nesta semana mostrou que o aumento do temor em relação à inflação é generalizado e é percebido em todas as regiões do País, em todos os níveis de escolaridade e faixas de renda.
Segundo o instituto de pesquisa, um ano atrás, apenas 5% das pessoas com ensino superior apostavam em inflação. Neste ano, o índice subiu para 71%. Entre os que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos, a taxa é parecida: 69% falam em inflação. Em 2013, eram 38%. Entre aqueles que ganham até dois salários, 64% citam a inflação como um grande problema.
Os mais velhos lembram de uma época em que a alta dos preços alcançava índices bem superiores a 1% ao mês. Mas o período de estabilidade tornou o cidadão menos tolerante ao problema. Assim, a redução do poder aquisitivo do brasileiro estará na pauta da campanha eleitoral. Uma boa alternativa na hora de escolher os candidatos é conhecer qual a proposta que ele tem para o controle da inflação, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e alta dos juros.

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