A crise econômica enfrentada pelos brasileiros traz alguns componentes novos: inflação e endividamento das famílias. Ontem, segundo índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IPCA apurado foi de 0,62% em julho, mais baixo do que o 0,79% atingido em junho. O problema é quando considera-se o acumulado: no ano o percentual é de 6,83% - a maior taxa para o período desde 2003, quando o índice foi de 6,85%. Em sete meses já supera o aumento dos preços de todo o ano passado (6,41%) e o teto da meta do governo de 6,5%.
A inflação segue em escalada de alta há meses e, por isso, pode-se afirmar que as medidas adotadas pelo Banco Central não têm surtido qualquer efeito. O aumento da taxa básica de juros ainda não se mostrou eficaz, mas o problema não é mais o consumo, uma vez que tanto indústria como varejo estão com desempenho ruim. As tarifas administradas pelo governo – energia elétrica, água, combustíveis e impostos – é que acumulam os maiores reajustes. Tudo isso somado ao reajuste de preços de alimentos e serviços têm tirado o poder de compra das famílias.
E agora o governo não tem mais dinheiro para distribuir com juros subsidiados como ocorreu no passado. Os consumidores também não conseguem tomar empréstimos porque estão endividados. Desta forma, as famílias têm que conviver com menor poder aquisitivo, aumento de impostos e ainda o temor do desemprego. É natural o receio por contrair novas dívidas. O ambiente não está favorável.
No entanto, a crise não pode fortalecer esse ciclo vicioso e abater a população pelo "clima de pessimismo". E, por isso, é preciso voltar a insistir para a criação de uma agenda positiva. O governo e agentes públicos também deveriam fazer a sua parte e cortar gastos. As medidas de austeridade não podem ficar apenas com a população. O sacrifício tem que ser de todos.

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