Inflação e consumo
O resultado do IPCA, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), voltou a surpreender. O índice apurado ficou em 0,74% e nos últimos 12 meses acumula alta de 8,47% - bem distante do centro da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 4,5% com variação de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. No entanto, os itens que mais contribuíram para o resultado foram alimentos e bebidas e energia elétrica o que impacta fortemente no orçamento das famílias.
Estimativa do IBGE aponta que alimentos e bebidas são responsáveis por 25% das despesas das famílias. Além disso, nos últimos 12 meses esse grupo acumula alta superior à inflação do período: 8,8%. O aumento é considerado sazonal, e explicado por especialistas por problemas climáticos, que afetam produtos in natura, além da influência do dólar sobre insumos (como do trigo e fertilizantes) e as exportações.
O problema desse período que o País está passando é o clima de incerteza. Todos têm perdido poder de compra devido ao aumento de preços, mas mesmo os "menos afetados" - que não tiveram seus rendimentos reduzidos seguram o consumo porque têm receio e não querem se endividar. Outro ponto importante já detectado pelos varejistas é a substituição de produtos mais caros por mais baratos e o corte de itens considerados supérfluos. Por isso, a avaliação é que "o pior" do aumento de preços já ocorreu.
Um fator relevante e que deve ser pesado é que especialistas projetam para 9% o IPCA deste ano, puxado pelas tarifas controladas como o combustível. É importante que ocorra uma atenção maior para a inflação e com a política macroeconômica. Os preços não podem voltar a subir desordenadamente, sem qualquer controle. A inflação acumulada já é a maior desde 2003. Medidas urgentes precisam ser adotadas.





