Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a subir em março. Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual apresentou alta de 0,92%, a maior desde março de 2003. Também é o terceiro aumento consecutivo. A inflação foi pressionada mais uma vez pelos preços dos alimentos, cuja produção acabou prejudicada pela seca prolongada em algumas regiões e pela chuva em excesso em outras.
Entre os alimentos que mais subiram, estão itens que são incluídos diariamente na alimentação dos brasileiros como batata, tomate, feijão carioca, hortaliças e verduras, ovos e leite. O grupo respondeu por um terço da inflação. Analistas já preveem que a inflação ficará bem próxima do centro da meta estabelecida pelo governo federal, que é 6,5% no ano. Além disso, as perspectivas são de novos reajustes, com o aumento de produtos cotados no mercado externo – que já pressionam itens vendidos no mercado atacadista.
Ainda que o governo se apresse em afirmar que os preços não ultrapassarão esse índice, é preciso cautela. Além dos alimentos, que têm variação sazonal, as tarifas públicas também serão reajustadas neste ano, conforme foi anunciado, e ainda teremos a Copa do Mundo, cujos preços serão inflacionados ainda mais. No entanto, como neste ano serão realizadas eleições, também é preciso atenção para que o índice não seja maquiado, como ocorreu no ano passado. Por conta dos protestos realizados em junho do ano passado, tarifas como a do transporte coletivo e de energia elétrica não foram reajustadas. Essa conta não pode ser empurrada para 2015.
O ano passado foi ruim para a economia brasileira e, por enquanto, não há sinais palpáveis de melhora. Não há ajuste fiscal, os gastos do governo continuam altos, o consumo está em queda e a economia dá sinais claros de desaquecimento. É importante que os brasileiros fiquem atentos e passem a acompanhar mais de perto o assunto.

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