Apesar da alta da inflação registrada em outubro, o IPCA (indicador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que mede a evolução dos preços praticados pelo varejo) acumulado em 12 meses se estabilizou em cerca de 5,8%, abaixo do teto da meta estipulada pelo governo que é de 6,5%. Contribuíram para elevar o índice a taxa de câmbio e o forte aumento dos preços dos alimentos, principalmente os que estão atrelados ao mercado de preços internacional.
No entanto, é importante salientar que o índice só não é maior porque as tarifas públicas (incluídas na cesta de produtos que compõem o indicador) não foram reajustadas, seja por pressão dos protestos que mobilizou grande parte da população ou para evitar que a inflação subisse mais. Cálculos de analistas indicam que se essas tarifas fossem retiradas, o índice seria de 7,4% no acumulado dos últimos 12 meses – muito acima do teto de 6,5%. A inflação dos últimos 12 meses desses custos é de apenas 1%.
Cabe lembrar também que se hoje o governo "segura" esses custos, a conta chegará mais tarde. A tarifa de energia elétrica, por exemplo, não só não foi reajustada como chegou a cair; vale lembrar que há um subsídio anual de R$ 9 bilhões. Apesar de vários pedidos da Petrobras para aumentar o preço da gasolina, o governo não autorizou o reajuste justamente para não interferir no índice de inflação. Ainda há a tarifa do transporte público, que não foi reajustada. A questão é: até quando o governo vai manter esses custos?
Para o mercado interno, outra questão que merece destaque é a taxa Selic. A inflação "sob controle" não impedirá que o Banco Central continue a promover reajustes nos índices até o final do ano. Isso porque não há qualquer sinal de economia dos gastos públicos que, aliás, tem tendência de aumentar no próximo ano, que é eleitoral e a presidente Dilma Rousseff (PT) é candidata à reeleição. Se não for adotada uma política mais austera – e tudo indica que não – os brasileiros continuarão a ver alguns indicadores sustentados artificialmente.

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