Inflação chega mais cedo
Na corrente ufanista do período eleitoral, tem sido insistente a divulgação de dados positivos sobre o desempenho da economia e outros indicadores sociais. Órgãos de credibilidade como IBGE, FGV, IPEA e outros, do setor privado, caso do índice da CNI, liberaram números em profusão, todos convergindo para formar uma só conclusão: o Brasil está vivendo os melhores momentos da história. E o brasileiro vive confortavelmente, de A a Z.
Estabilidade existe e aumento real dos salários também. São resultado de mais de 15 anos de estabilidade no Brasil, e de crescimento no mundo. Não se pode descartar, porém, que estatísticas sobre índices de preços falseiam a realidade. Mas não chegam a comprometer a boa performance. Só que quando a intenção ganha conotação eleitoral, o otimismo fica exagerado e ignora fatos contrários.
Quer exemplo? Após três meses de deflação (na prática não há deflação), as famílias de baixa renda voltam a perceber os efeitos do custo de vida em seu orçamento doméstico. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 - (IPC-C1), usado para mensurar o impacto da movimentação de preços entre famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos, e que subiu 0,42% no mês passado, após mostrar queda de 0,44% no mês anterior. Os dados referem-se a todas as capitais.
Londrina também tem seus indicadores. Os aumentos significativos nos preços da carne e do feijão foram os principais responsáveis pela disparada no valor da cesta básica em Londrina no comparativo do mês de setembro em relação a agosto. Segundo pesquisa realizada em nove supermercados da cidade pelos alunos da Faculdade Pitágoras, coordenada pelo professor Flávio Oliveira dos Santos, a cesta sofreu um aumento de 13,95% no período, custando R$ 644,55 para uma família de quatro pessoas. Esse crescimento é o maior dos últimos dois anos, sendo a segundo maior valor registrado para a cesta em 2010.
Sazonal ou não, o comportamento dos preços têm mudado. Isto não justifica catastrofismo, mas não estamos vivendo um mar de rosas como querem sugerir os dados oficiais.





