Inflação artificial
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) principal indicador que mede a inflação voltou a registrar alta em setembro. Segundo apuração do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice subiu 0,35%, puxado pela alta dos preços dos alimentos e do grupo transportes. É a maior variação desde maio deste ano (0,36%); em agosto, o índice havia subido 0,24% - acima da taxa de 0,03% em julho. O resultado está dentro das expectativas do mercado, que apontavam um índice entre 0,30% e 0,35%.
No acumulado do ano, a inflação acumula alta de 5,86%, abaixo do limite do teto da meta estipulada pelo governo para este ano, de 6,5%. Importante ressaltar que a diferença verificada entre as variações de preços livres e os controlados pelo governo ainda é muito grande. Enquanto no período o aumento foi de 7% nos preços livres, as tarifas do governo acumulam alta de cerca de 1%. Significa que o índice é artificial, o que também pode gerar problemas futuros.
No entanto, apesar do resultado ainda favorável, a equipe econômica não deverá descuidar da inflação. Tanto que o Palácio do Planalto teria dado aval ao Banco Central (BC) para elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, ficando em 9,5% ao mês. O percentual foi confirmado ontem à noite. A avaliação é que uma inflação alta é mais prejudicial à imagem da presidente Dilma Rousseff (PT) em
um ano eleitoral do que uma taxa de juros elevada.
Outra questão é o câmbio. Um dólar mais baixo também ajuda a conter a inflação e o BC tem atuado nessa questão. Em meados do ano, o dólar chegou a
R$ 2,30, mas já está novamente na casa dos R$ 2,20. No entanto, é preciso cautela. Em um período de incerteza, a inflação pode voltar a subir, o que será extremamente prejudicial à imagem da presidente. Em um cenário como esse, há o problema de a economia se manter com indicadores montados artificialmente e, certamente, mais adiante a conta virá.





