Paulo Afonso Rodrigues
Em janeiro deste ano, quando Papai Noel ainda nem tinha recolhido o trenó, fomos surpreendidos pela maxi desvalorização do real. Se a culpa foi de Gustavo Franco, Francisco Lopes ou do sistema econômico impetrado no País, não importa. O fato é que a indústria, o comércio e as pessoas físicas em geral sentiram o que os especialistas chamaram de ’’ represamento do câmbio’’.
O ponto marcante do ano que se finda está na conscientização e na disposição da sociedade em rever seus direitos como consumidores mediante a revolta imposta no mercado, através da verificação total de todas as operações econômicas realizadas, principalmente em relação ao mercado financeiro.
Hoje, temos de um lado a economia voraz que não dá tréguas a quem não se adaptou ao momento da globalização impetrada mundialmente e, de outro, uma inflação considerada controlada com os custos dos juros reais proibitivos que se refletem no custo final do produto.
Os países de menor porte, principalmente na América do Sul, atrelados à economia dos países ricos, sentiram os efeitos das mutações ocorridas no processo de globalização. As sequelas havidas no mercado devido às constantes crises internas deixou o Brasil à mercê do mercado de grosso calibre. Os juros proibitivos que já foram de 45% ao ano, sofreram baixas mas, por enquanto, estão estagnados em 19% ao ano.
A economia produtiva, como sempre acontece num mercado de regime capitalista, viu-se prisioneira do sistema bancário. A cobrança de altos ‘‘spreads’’ penalizou investimentos e inviabilizou injeções de capital.
O empresariado, de maneira geral, deve se preparar profissionalmente para o desafio da entrada do novo ano porque o ponto marcante do novo milênio será a alta profissionalização e o aumento de competitividade. Só terá lugar no mercado quem estiver inserido neste contexto.
Por sua vez, as penalidades impostas pelo sistema econômico devem ser revistas na totalidade já que os custos impostos à área produtiva podem custar a sobrevivência da atividade empresarial. Entre as metas a serem atingidas está a redução de custos, priorização de objetivos, profissionalização, racionalização da atividade e olho no mercado mundial.
Hoje, o Brasil que é chamado de ‘‘bola da vez’’ por muitos na economia, só o é para os investimentos internacionais. Prova é a entrada em escala dos bancos internacionais no País. Enquanto nos países de primeiro mundo 85% da população é ativa no sistema bancário, no Brasil este número está em 18%, o que significa um grande mercado a ser conquistado.
Os investimentos internacionais no País direcionados à venda de produtos e serviços são animadores economicamente falando. O que desanima é que, paralelo a isso, o Brasil tem falta de recursos para incentivar sua atividade principal: a agricultura. Quando ocorreu a liberação dos compulsórios em R$ 30 bilhões, alertamos que os recursos na economia poderiam permanecer escassos. O governo fez sua parte mas, o sistema financeiro, não.
Além de todos os desafios que nos reserva o próximo ano, o principal fica por conta da busca da independência financeira das pessoas físicas e jurídicas com o propósito de deixarem de ser reféns da voracidade dos sistema financeiro. Os grandes empresários, muitas vezes, têm acesso às informações que os previnem para as peripécias do mercado. Enquanto que as pessoas físicas e pequenas empresas se vêm perdidas quando deparam com problemas financeiros e não têm para onde correr por falta de conhecimento.
Com fé e trabalho, não perdendo as esperanças, poderemos alcançar os objetivos propostos para 2000.

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