Infecção hospitalar fora do hospital
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Muito se tem ouvido falar sobre o perigo das infeccções, dentre elas a síndrome de resposta inflamatória sistêmica - conhecida como sepse. Em 2008, o número de óbitos relacionados à doença subiu 14% no Paraná, em relação ao ano anterior. O problema, que requer cuidados, pode ser desencadeado por bactéria, fungo ou vírus.
Em entrevista à FOLHA, a infectologista infantil e docente do setor de moléstias infecciosas do Hospital Universitário (HU), Jaqueline Dário Capobianco, explica como a infecção deve ser tratada e como é possível preveni-la.
Apesar de ser raro o desenvolvimento da sepse fora do hospital, a médica alerta: ''Um fator que pode desencadear a infecção é a demora na procura pelo médico. Se uma febre, sem motivo aparente, persistir por mais de 48 horas é importante buscar assistência''.
Em que consiste a sepse?
É uma resposta inflamatória sistêmica secundária a uma infecção bacteriana. A resposta inflamatória pode ser secundária a uma síndrome que decorre de um trauma grave, um acidente ou uma pancreatite, por exemplo. Quando essa síndrome, que é uma reação do organismo, ocorre após uma infecção, diz-se que é uma sepse, que pode ser por uma bactéria, por um fungo ou viral.
Como esse tipo de infecção se manifesta?
Não é qualquer paciente que vai desenvolver sepse. Depende do agente, de fatores e quantidade de bactéria que entra no organismo, bem como da resposta do hospedeiro. Uma pessoa saudável com sistema imunológico competente vai bloquear essa resposta exacerbada. Já quem tem uma alteração de imunidade, por diversos fatores, pode propiciar o desenvolvimento da síndrome da resposta inflamatória.
Como o problema deve ser tratado?
O tratamento tem que ser precoce, pois uma vez desencadeada a infecção pode afetar vários órgãos até desenvolver uma falência de múltiplos órgãos. Por isso, quanto antes intervir menor as sequelas. O paciente vai precisar de tratamento precoce e agressivo para tirá-lo da fase de risco e para diminuir a mortalidade. O tratamento basicamente envolve a utilização de um antibiótico adequado para o micro-organismo, administração correta do medicamento e em manter o paciente bem hidratado. Além disso, algumas pessoas precisam de oxigênio e de outras medidas de suporte.
O índice de mortalidade é alto...
A mortalidade é alta, mas depende da população. Por exemplo, a mortalidade de recém-nascido com sepse chega a 80%. A sepse neonatal precoce normalmente acontece por bactérias maternas que passam para o bebê. Quanto mais imunedeprimido for o paciente maior o risco de mortalidade. Pacientes de UTI e recém-nascidos são os de maior risco.
E a prevenção está ligada à higiene...
A melhor maneira de prevenir a infecção é lavar as mãos, que podem passar a infecção de um paciente para outro. Além da higiene adequada das mãos, é preciso utilizar técnicas corretas para realizar procedimentos sem risco de contaminação e manter os pacientes bem nutridos no hospital. É raro ter um paciente que desenvolva a sepse fora do hospital. Porém, um fator que pode desencadear a infecção é o atraso para procurar o médico. Se a pessoa estiver com febre há mais de 48 horas sem motivo aparente ou que esteja se sentindo debilitada, sem conseguir se alimentar, por exemplo, precisa procurar assistência.
Se a pessoa não procurar assistência médica em tempo hábil o que pode acontecer?
Ela permite que a bactéria ganhe a batalha. O paciente dá tempo para a bactéria produzir todos os fatores que precisa para ganhar. Um paciente com pneumunia que buscar atendimento depois de quatro, cinco dias, com certeza vai ter uma complicação.
Não tratar uma infecção corretamente pode levar à sepse?
Se o paciente recebe um tratamento para a infecção urinária, por exemplo, e não completa o tratamento, utilizando de forma inadequada o antibiótico, a bactéria pode não ser erradicada e desenvolver resistência. Nesse caso, num segundo tratamento pode ser que a bactéria já esteja resistente ao antibiótico, podendo proliferar.
Vimos casos de pacientes que precisaram amputar membros. Como é possível chegar nesse ponto?
Infecções graves que tem alteração de coagulação e afeta até a microvasculatura pode ter isquemia e necrose das extremidades. Existem bactérias que podem fazer isso em poucas horas. Felizmente são poucos os casos que desenvolvem essa resposta tão exacerbada.


