Férias escolares são uma época de descanso. Ou deveriam ser. Hoje, porém, o merecido período longe do trabalho ou das aulas costuma significar crianças em casa com tempo livre de sobra e pais sem saber o que fazer para mantê-las ocupadas. Para quem não pode viajar, a missão pode ser um pouco mais espinhosa. Afinal, são mais de 30 dias com os pequenos em casa, muitas vezes, restritos ao espaço de um apartamento. Mas com boa vontade, muitas atividades podem ser desenvolvidas.
A coordenadora pedagógica da divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva, Anita Adas, reforça que a brincadeira é extremamente importante para as crianças. É através delas que são desenvolvidas a criatividade, a imaginação e outras habilidades fundamentais na idade adulta. Mesmo as crianças que não têm irmãos não precisam se contentar com jogos individuais ou com a televisão. Nesse caso, a especialista sugere que os pais montem estratégias para que os pequenos possam se divertir com os amigos. Confira a seguir dicas para animar as férias da garotada.
Qual é a importância do brincar para a criança?
Brincar é uma experiência rica e complexa. A brincadeira, como atividade típica da vida humana, proporciona liberdade, contentamento e, sobretudo, aprendizado; é meio de comunicação, de elaboração, de compreensão, de prazer e de recreação. Ao brincar, as crianças desenvolvem capacidades importantes para o seu desenvolvimento cognitivo, cultural, emocional e social como, por exemplo, a atenção, a memorização, a imaginação, a imitação, a criatividade e a capacidade de resolver conflitos e, consequentemente, de se apropriar de habilidades e competências para vivenciar uma fase adulta feliz e reflexiva.
Qualquer brincadeira é válida?
Sim, desde que adequadas à faixa etária e orientadas por adultos responsáveis. Ao brincar, as crianças se relacionam com o seu meio e, diante de tanto acesso, as crianças precisam ser orientadas.
Como os adultos devem brincar com a criança?
As brincadeiras podem acontecer de forma espontânea ou coordenadas por um adulto. Na primeira, a criança, por si só ou em pequenos grupos, decide a brincadeira sem a mediação do adulto - momentos preciosos para que ocorram os processos de elaboração interna. Já as brincadeiras coordenadas ou orientadas são planejadas e intencionais, mediadas por um adulto, pois possuem um ou mais objetivos específicos a serem atingidos. Elas também proporcionam a socialização do grupo, a integração e a participação das pessoas envolvidas, favorecendo atitudes de respeito, aceitação, confiança e solidariedade, além do conhecimento mais amplo da realidade social e cultural. Diante disso, é fundamental que as crianças passem pelas duas experiências, porque cada uma delas tem a sua importância no desenvolvimento da criança.
Quais as alternativas para as crianças que não têm irmãos?
É muito importante que as crianças que não têm irmãos sejam estimuladas a cultivar as amizades - preciosas também para as crianças que têm irmãos. Para que se aprenda a estar na coletividade e a viver em sociedade, é essencial relacionar-se com os pares. Sendo assim, para que as crianças não fiquem o dia inteiro vendo televisão ou em frente ao computador, uma possibilidade interessante é combinar um rodízio de horários ou dias da semana entre os responsáveis pelas crianças para que os pequenos possam estar em grupo e por exemplo, organizar uma ''sessão pipoca'' com filmes apropriados para elas.
Quais brincadeiras podem ser desenvolvidas agora nas férias, tanto em casa quanto nos apartamentos?
Disponibilizar roupas, perucas e acessórios, entre outros objetos, para que as crianças inventem brincadeiras (casinha, teatro, lojinha, supermercado etc.); organizar piqueniques; disponibilizar livros infantis e juvenis para que as crianças possam ler individualmente ou contar histórias e também tintas, sucatas e outros materiais para que possam fazer um ateliê de pinturas e demais criações artísticas; banhos de piscina ou mesmo de esguicho nos dias quentes; jogos de mímica, xadrez, dama, trilha, quebra-cabeça etc.
Para os responsáveis que têm acesso à internet, há sites que abordam os temas brincadeiras e jogos. Neles, constam explicações de como jogar stop, forca e batalha naval, por exemplo, entre outros. Vale ainda lembrar que os jogos tradicionais, como amarelinha, queimada, gato mia, balança caixão, batata quente, alerta etc precisam ser valorizados pelo mundo adulto, já que além de proporcionarem às crianças momentos de aprendizado e diversão, são parte de nossa cultura popular e, assim, fundamentais na construção de nossa identidade.

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