Inexplicável diferença em criminalidade
Um fato que causa indagações, em Londrina, é porque esta cidade tem tanta criminalidade e Maringá quase nenhuma. Esta constatação não é de agora, e ontem este jornal mostrou números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada afirmando que Maringá é a cidade mais segura do Brasil entre as que têm acima de 300 mil habitantes. Ali os homicídios são raros 18, durante todo o ano passado, e 12 em 2003 enquanto em Londrina ocorre 1 a cada 2 dias, ou 183 em 2004. As duas cidades distam 100 quilômetros entre si, Londrina é maior em população (não chegando ao dobro), mas em Maringá não existe favela. Já em Londrina há um grande número delas, e da pior qualidade, constituindo bolsões de miséria extrema. As razões para tão grandes diferenças não são conhecidas, e toda a avaliação que se fizer será apenas suposição. Maringá e Londrina são, basicamente, cidades prestadoras de serviços e têm a mesma origem, porque fundadas pela Companhia de Terras (a colonizadora inglesa) e pouca diferença de idade. Londrinenses têm negócios em Maringá e maringaenses têm negócios em Londrina. Os dois núcleos urbanos têm sistemas econômicos semelhantes, são ligados por rodovia de quatro pistas, portanto de fácil e rápida comunicação, mas em Londrina os crimes recheiam o noticiário e em Maringá isto é coisa rara. Há os que exaltam a administração pública de Maringá e culpam a de Londrina por essa disparidade de acontecimentos criminais. Muitos são os que defendem que a Polícia maringaense é mais operosa. Analistas econômicos afirmam que a distribuição de renda é melhor em Maringá, com maior ganho e mais emprego. Uma coisa é intrigante: a não-existência de favelas em uma cidade e a proliferação abundante delas em outra. No passado, pequenos municípios colocavam mendigos e pobres em caminhões e os largavam em Londrina, porque diziam a cidade tinha condições de atendê-los, mas não é o que ocorre com relação a estas duas importantes cidades. Onde há bolsões de miséria é maior a marginalidade, indutora dos atentados ao patrimônio alheio. Nisto podem prevalecer fatores de maior ou menor eficiência administrativa municipal, distinguindo-se a que sabe atrair mais investimentos e a que sabe menos. Não é argumento sustentável o de que a cidade de Maringá foi desenhada na prancheta e que, por isso, sua linha urbanística não permite hoje assentamentos irregulares, e que Londrina foi a cidade-cobaia do experimento colonizador, imaginada para apenas 30 mil habitantes e ordenada apenas no quadrilátero central, com ruas estreitas e apenas uma avenida dupla. Mas favelas podem formar-se em qualquer lugar e não seguem padrão urbanístico. Se a falta de emprego induz à miséria social e à delinquência, há que batalhar, então, pela causa de criar fontes de trabalho e de ganho. O diferencial entre Londrina e Maringá quanto ao índice da criminalidade é um fenômeno indecifrado. Se uma cidade maior atrai problemas na exata proporção, também atrai desenvolvimento, pelo maior número de pessoas produzindo e consumindo, então este não é o fator. No caso dessa diferença entre as duas desenvolvidas cidades norte-paranaenses (rivais apenas no futebol, tão inexpressivo em ambas), uma fórmula segura para Londrina tentar sair desta é buscar caminhos de maior desenvolvimento econômico, de modo a gerar empregos, que são o melhor indicativo de solução para um elevado ranking de criminalidade.





