A fraude ocorrida nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 ratifica a imagem de ineficiência do governo federal. É inadmissível que o Ministério da Educação (MEC), que é o idealizador do exame, não garanta a confidencialidade do teste. Como exigir que os estudantes participem das provas, se a cada ano são registrados problemas?
Só para relembrar, este é o terceiro ano consecutivo que é registrado uma fraude. Em 2009, a Polícia Federal chegou a indiciar suspeitos de terem roubado a prova que ainda seria aplicada da gráfica onde foi realizada a impressão do material. Neste caso, o exame foi adiado. No ano passado o tema da redação vazou para alunos de Pernambuco. Estes casos demonstram claramente a ineficiência do MEC para garantir segurança na realização das provas. E estes problemas não podem simplesmente ser ignorados ou tratados de forma isolada.
Culpar uma escola e um grupo de adolescentes não é o caminho, até porque a responsabilidade por garantir que o conteúdo do exame não vaze continua sendo do MEC. O que está em discussão é algo muito maior do que a ética de algumas pessoas e o governo não pode se eximir da responsabilidade. Neste caso, o Enem deveria ser cancelado para todos os estudantes que realizaram a prova ou, no mínimo, as questões deveriam ser anuladas - para todos os participantes. Por enquanto, foi feita apenas a anulação parcial do exame para o grupo de estudantes cearenses que teve acesso antecipado à 14 questões do Enem que foram incluídas em um simulado promovido pelo colégio.
No entanto, o caso não para por aí. Informações veiculadas ontem apontavam que alunos de Minas Gerais também tiveram conhecimento prévio de uma pergunta. Sendo assim, o que garante que não houve vazamento ainda maior das questões do exame?
Ontem, a Justiça Federal do Ceará estabeleceu prazo de 72 horas para que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) se pronuncie sobre a anulação parcial ou total do Enem. A decisão atende pedido do Ministério Público Federal, que impetrou ação civil pública para pedir a anulação do Enem em todo o País e não apenas para os estudantes envolvidos. É de se esperar, no mínimo, um argumento consistente para convencer a sociedade. A ineficiência - reinante em muitos órgãos da administração federal - não pode continuar.

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