Desconheço a existência de um município cuja população não esteja cobrando do prefeito a oferta de mais empregos. Especialmente nas cidades de porte médio do interior, essa questão torna-se mais e mais crucial, exigindo ações diferenciadas para o encontro de alternativas.
Infelizmente, pede-se soluções de curto prazo para problemas que vêm se arrastando ao longo do tempo. Além da crise macroeconômica em si, temos de considerar que muitas empresas passam por um processo complicado de reestruturação, às vezes envolvendo a mudança de geração (de pai para filho) na direção dos negócios. Nem todas organizações conseguem fazer essa passagem sem traumas. E os traumas, por vezes, são fatais.
O comércio, em particular, reclama muito da queda do poder aquisitivo da população, mas é preciso entender que a competitividade está muito mais acirrada e as atividades econômicas que davam certo há cinco, dez anos, hoje estagnaram. Ou melhor: o gerenciamento empírico está falido, o consumidor quer, cada vez mais, preço e qualidade. Não basta sermos bons, temos que perseguir, o tempo todo, a excelência.
Nossa preocupação, como prefeito de Ourinhos, é de repensar o desenho do desenvolvimento local sob o prisma da organização da cidade. Todos sabemos que o empresário não vai instalar uma firma porque conseguiu terreno de graça ou recebeu incentivo fiscal. Isso é muito pouco. Fatores como qualidade dos serviços essenciais existentes no município - saneamento, infra-estrutura, redes escolar e de saúde - são determinantes.
Por isso, estamos trabalhando no preparo da cidade para receber o desenvolvimento. E se considerarmos que temos pouco mais de 20 meses de governo, as vitórias nessa direção já são significativas. Algumas delas são, sem exagero, históricas.
Conseguimos, por exemplo, através de gestões junto ao governo do Estado, a autonomia da Fatec, que deixou de ser uma mera extensão. Isso abre a perspectiva real e imediata da instalação de novos cursos, que vão resultar em empregos e receitas para o município, por força de mais estudantes residindo aqui. E estamos buscando, o tempo todo, prospectar investidores e vislumbrar novas perspectivas nessa área da indústria de serviços.
Outra conquista valiosa é a Agência do Sebrae. Hoje, os micro e pequenos empresários dispõem, localmente, de um organismo dedicado a promover fomento e oferecer suporte. Com a presença do Sebrae, Ourinhos agrega referência positiva e fortalece sua condição de pólo microrregional.
No plano das infra-estruturas, estamos equacionando o abastecimento de água para os próximos 15 anos, através de investimentos pesados da SAE (Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos). Ao mesmo tempo, estamos aprimorando o serviço de limpeza pública de Ourinhos, visando a garantir impressão positiva para quem chega e bem-estar para comunidade como um todo.
Nossos esforços junto ao governo do Estado resultaram na decisão de duplicação da Rodovia Raposo Tavares (trecho de Ourinhos a Assis), da Orlando Quagliato (Ourinhos a Santa Cruz do Rio Pardo) e acesso à Rodovia Castelo Branco. A conexão de Ourinhos com São Paulo, por pista dupla, dará um novo alento às perspectivas do nosso desenvolvimento.
O empenho junto ao governo federal resultou na decisão recente de construção do trevo no encontro da BR-153 com a Rodovia Raposo Tavares, nas imediações da cidade. Trata-se de uma obra necessária, reivindicada há mais de 20 anos, que vai resultar em maior segurança e dará um novo desenho para as entradas oeste e norte de Ourinhos.
Já está praticamente definida a construção da Hidrelétrica do Paredão, no Rio Paranapanema, que se soma às obras relatadas anteriormente para redinamizar a economia local. Todas estas conquistas são concretas - e o impacto em termos de novos empregos e entrada de dinheiro novo na economia ourinhense é iminente.
Esse quadro reforça nossa convicção de que o desenvolvimento não está, necessariamente, condicionado à vinda de indústrias clássicas. Podemos (e estamos conseguindo) fomentar o interesse pela indústria sem chaminés dos serviços, como é o caso da Fatec e da Agência do Sebrae. Por outro lado, a implantação das obras de infra-estrutura anunciadas vão representar postos de trabalho novos, especialmente para o setor de construção civil.
A preparação do desenvolvimento, embora tenha baixa visibilidade aos olhos da comunidade, é tarefa que não pode ser postergada. Iludir-se com a maquiagem, com o imediatismo inconsequente, é o jeito mais fácil de perder, irremediavelmente, o bonde da história. Ou fazemos isso ou vamos estar condenados a marcar passo, o que, na prática, é retroceder a conta-gotas.
- TOSHIO MISATO, engenheiro civil, é prefeito de Ourinhos (SP)

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