Industrialização: uma causa para Londrina
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Há quase uma década as lideranças da sociedade civil organizada de Londrina ligadas especialmente ao setor produtivo vêm batendo na tecla de que a cidade precisaria com rapidez mudar a sua matriz econômica.
Referência na prestação de serviços desde que a geada dizimou a nossa cafeicultura, e, na virada do último século, novo polo da tecnologia da informação, a cidade negligenciou a importância de também fazer a roda da economia girar no campo da industrialização. E os reflexos vêm sendo sentidos agora. Com indicadores econômicos modestos para um polo urbanístico de mais de 550 mil habitantes e no qual circula uma população flutuante de 1 milhão de pessoas, como PIB (Produto Interno Bruto) e geração de empregos formais, Londrina vem caindo no Ranking das Melhores Cidades para Fazer Negócios, realizado pela Urban Systems.
Em dois anos, de 2016 a 2018, perdemos 15 posições. Embora o mesmo estudo aponte quedas mais vertiginosas de outros municípios de mesmo porte, como Uberlândia e Joinville, não dá para encarar com naturalidade o fato de Londrina ser apenas a 40ª neste levantamento, atrás de municípios paranaenses menores, como Maringá (9º) e Cascavel (23ª).
O ranking está na sua quinta edição e analisa 300 municípios com mais de 100 mil habitantes, avaliando capital humano, desenvolvimento social, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Nesta edição, o indicador de desenvolvimento econômico sofreu alterações com o acréscimo de informações de comércio exterior, diversidade econômica e empreendedorismo, explicando a queda da cidade.
De acordo com os últimos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de 2018, divulgados pelo Ministério do Trabalho em dezembro, Londrina ficou atrás de Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais entre os municípios paranaenses que mais geraram empregos formais no mês de novembro. Ainda que no acumulado de janeiro a novembro do ano passado a cidade tenha apresentado um saldo positivo de 494 vagas, os números seguem muito aquém do esperado e do desejado.
Além da questão da geração de emprego, outro fator que contribuiu para a queda de Londrina no ranking das melhores cidades para se fazer negócios é a redução no Índice Firjan de Gestão Fiscal, de 0,637 para 0,620, quando o ideal para uma cidade do porte de Londrina seria de 0,7 a 0,75.
Economistas avaliam que além de uma industrialização perene, a cidade também tem que acelerar seu desenvolvimento em outras matrizes igualmente importantes, como a economia criativa, bandeira levantada pelo Fórum Desenvolve Londrina em 2018. É passada a hora de o poder público e a iniciativa privada abraçarem essas causas de forma prioritária. Ou continuaremos na contramão.



