A industrialização é um dos principais motores capazes de contribuir significativamente para o desenvolvimento de uma região. Reportagem de hoje desta FOLHA faz uma análise do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios do Paraná. Em cinco anos (entre 2007 e 2011), 17 cidades registraram crescimento superior a 100% nesse resultado.
Desconsiderando poucos exemplos localizados na Região Sudoeste, que estão diretamente ligados às compensações financeiras pagas pelo governo devido ao impacto local da construção de hidrelétricas, os outros bons resultados foram obtidos por meio da atividade industrial, fomentada pelo poder público ou não. Os resultados calculados pela reportagem são impressionantes. A receita líquida de Pérola (Região Noroeste), por exemplo, passou de
R$ 11,4 milhões em 2009 para R$ 23,2 milhões em 2011, crescimento de 177%; o PIB de Sabáudia (Norte) aumentou 120%, enquanto o de Terra Boa (Noroeste), 113%.
Esses exemplos são extremamente relevantes, ainda mais em um cenário de crise econômica mundial. Recentemente foi divulgado o saldo da balança comercial que, em janeiro, registrou o pior deficit mensal da série histórica iniciada em 1994. A diferença ultrapassou US$ 4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e foi justamente nas transações de bens manufaturados e semimanufaturados. A análise, óbvia, alerta para o enfraquecimento do parque industrial nacional.
Se o bom desempenho do PIB está diretamente relacionado ao da indústria, não parece lógico que seja feito o fomento A essa atividade? As indústrias exigem mão de obra qualificada e pagam salários mais altos, o que impacta diretamente no PIB per capta. Além de desonerações pontuais para alguns setores, é necessário a elaboração de um plano de desenvolvimento regional. As vocações devem ser respeitadas, mas é preciso que seja feita uma reforma estrutural com mudanças significativas em políticas macroeconômicas e de investimentos.

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