INDÚSTRIA X AMBIENTALISTA - Sacola ecológica causa polêmica
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quinta-feira, 06 de setembro de 2007
Eli Araújo<br>Reportagem Local 
Um simpósio realizado há poucos dias em Curitiba pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep) concluiu que as sacolas oxibiodegradáveis podem representar mais perigo ao meio ambiente do que as sacolas tradicionais, conforme noticiado pela FOLHA. Essa informação deixou indignada a fundadora e voluntária da Funverde, Ana Domingues. A Fundação Verde é uma ONG ambientalista, com sede em Maringá, que incentiva o uso das sacolas oxibiodegradáveis nos supermercados. Segundo ela, os organizadores do simpósio usam a estratégia da repetição para transformar ''mentiras em verdades''.
O que a senhora teria a dizer sobre este simpósio?
A indústria petroquímica paga para as pessoas falarem besteira, tentando transformar uma mentira em verdade pela repetição. Vem o pessoal da Plastivida dizendo que é uma ONG isenta. Como pode ser uma ONG isenta se é mantida pelas petroquímicas? É besteira. Eles falam de laudos, mas não têm laudos, não têm dados químicos, não têm nenhum dado. No nosso caso, a primeira coisa que analisamos foram os laudos internacionais para o uso das sacolas oxibiodegradáveis. Eles sabem que o material não é prejudicial, mas ficam pagando as pessoas para dizer que é. Por quê? Para não perder 1% do mercado, porque com o plástico oxibiodegradável você tira 1% do plástico normal e coloca 1% de aditivo. Então, é um monte de gente comprada. A relação custo benefício de uma sacola dessas é enorme, mas as pessoas preferem destruir o mundo.
Por que, então, as pessoas se posicionam desta maneira?
Dinheiro, poder econômico. A indústria de plástico de sacolas no Paraná vai ter um lucro de R$ 3,2 bilhões. Então, isso é falta de amor. Eles querem comer o planeta: vamos sugar o planeta, vamos destruir o planeta, porque quando ele acabar, a gente não vai mais estar vivo. O mundo vai acabar quando eu acabar.
Qual objetivo do projeto das sacolas oxibiodegradáveis?
Criamos esse projeto para as pessoas prestarem atenção no problema do lixo, para elas se darem conta de que têm alguma coisa errada, de que estão consumindo demais, para daí chegar ao ideal que é a sacola retornável. A sacola oxibiodegradável não é um fim, mas um meio para as pessoas acordarem. Dizerem, pera lá, vou comprar um remédio, vem num saquinho; vou ali comprar um sorvete, vem num saquinho. Vamos falar de ciclo de vida do produto e o ciclo de vida de utilização do produto. O ciclo de vida de uma sacola não pode ser milhares de vezes maior do que o ciclo de utilidade dela. Se você a usou por uma hora, ela não pode demorar 500 anos para se decompor.
A ampliação do uso das sacolas oxibiodegradáveis no Brasil depende do quê?
Depende só da boa vontade dos supermercadistas. Preço não é mais problema, não é mais argumento. Quando o supermercadista adota esta sacola, ele ganha do concorrente, ele ganha mais clientes. Hoje, é basicamente querer. É boa vontade e responsabilidade ambiental do comerciante. A gente chama isso de capitalismo verde. Você precisa ganhar dinheiro sim, ninguém vive de brisa, mas você pode ter o seu negócio e impactar menos o ambiente. E essa sacola é uma maneira de impactar menos.
Quais outras informações do simpósio a senhora questiona?
O Simpep fala que distribui por mês 80 milhões de sacolas no Paraná. Isso é mentira. Só em Maringá são 15 milhões. A conta certa é 1,2 bilhão de sacolas por mês no Paraná, jogadas nos lixões, aterros, rios, em qualquer lugar. Só que eles falam um número pequeno com medo de sofrer um processo. É muito lixo jogado fora. A informação de que entre 19% e 20% da produção de plástico no Brasil é reciclada também é falsa. É uma mentira deslavada. Não chega a 5%. São essas mentiras que me deixam enojada.


