Após a definição do campeão mundial na África do Sul, que acontece no próximo domingo, os olhos do mundo irão voltar-se para o Brasil, sede da próxima Copa em 2014. Dois anos depois, o Rio de Janeiro vai receber os Jogos Olímpicos, maior evento esportivo do planeta. Os eventos serão atrativos importantes para dobrar o número de turistas estrangeiros no País até 2016. A estimativa é parte das conclusões do Documento Referencial Turismo no Brasil 2011/2014, elaborado pelo Ministério do Turismo em parceria com empresas privadas e com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A dúvida é se o Brasil estará preparado para atender esse fluxo de visitantes. Para Sérgio Garcia Ozorio, gestor do projeto de turismo do Sebrae no Norte do Paraná, o ramo tem evoluído nos últimos anos. A mudança mais importante é o comprometimento da sociedade - tanto do poder público quanto da iniciativa privada - em promover mudanças estruturais no País e atacar pontos fracos como a falta de infraestrutura e os altos índices de violência.
Por outro lado, aponta Ozorio, o setor do turismo nacional, a exemplo dos vizinhos sul-americanos, tem obtido bons resultados. ''A América do Sul aumentou o número de turistas internacionais em 61% de 2002 a 2009. Na Europa, o crescimento foi de 15%. E a média mundial foi de 25%'', aponta.
O que falta para o País transformar-se em uma potência do turismo?
Temos que vencer algumas questões. Estamos distantes dos maiores países consumidores, que são os Estados Unidos e os países da Europa. Para suprir o problema da distância, precisamos ter diferenciais. Temos que resolver questões de infraestrutura, violência, qualidade dos serviços e também intensificar o número de voos diretos para o País.
Para acontecer turismo, tem que haver uma tríade: atrativo natural, cultural ou evento, equipamentos e serviços e infraestrutura básica. Os equipamentos e serviços dependem basicamente da iniciativa privada e a infraestrutura depende do governo. Portanto, precisamos então da participação ativa tanto da iniciativa privada quanto do poder público.
Já que atrativos não faltam ao Brasil, o que deve ser feito para melhorar as condições de infraestrutura? A responsabilidade de solucionar esse gargalo é do poder público, da iniciativa privada ou o trabalho deve ser conjunto?
É interessante destacar que já avançamos bastante. Há uma vontade do poder público de buscar a evolução da infraestrutura. E a iniciativa vai acompanhar esse investimento. Hoje a economia tem favorecido. Há muitas pessoas querendo expandir e abrir negócios e o turismo é uma área bastante interessante. É uma atividade que atualmente cresce 10% ao ano. O turismo é o quinto produto da balança comercial brasileira e temos muito a crescer.
Em que grau a imagem de país violento e socialmente injusto que o Brasil tem prejudica o potencial de crescimento do turismo no País?
Tem que haver uma ação conjunta da sociedade e do poder público para combater a violência, por que influencia diretamente o turismo. O aumento desses índices é inversamente proporcional à chegada de turistas. Mesmo no turismo doméstico é prejudicial.
As perspectivas de crescimento são animadoras, principalmente levando-se em conta a proximidade de eventos como a Copa do Mundo e as Olímpíadas em território nacional?
Apesar de andarmos a passos curtos, a situação tem melhorado muito. A América do Sul aumentou o número de turistas internacionais em 61% de 2002 a 2009. Na Europa, o crescimento foi de 15%. E a média mundial foi de 25%. O Brasil foi o sétimo colocado no ranking internacional de eventos internacionais em 2009.
Quais são as ações necessárias para que o Paraná em particular e o Brasil aproveitem a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 para alavancar a visitação ao País?
O Paraná pode ser uma subsede. E podemos colher os turistas que vierem a Curitiba. Até 500 quilômetros de deslocamento há uma predisposição para se deslocar para exercer o turismo. Temos que divulgar nossos atrativos e tentar captar esse turista. Por isso, foi criado o Núcleo do Turismo de Londrina, que vai definir o Plano de Desenvolvimento do Turismo de Londrina para os próximos dois anos. O planejamento inicial prevê ações como a qualificação dos serviços locais e o fortalecimento dos produtos turísticos.
Qual a importância do turismo doméstico nos números do setor?
Estimamos em 130 milhões de viagens e 50 milhões de pessoas viajando. Isso vem crescendo porque as pessoas buscam cada vez mais entretenimento e lazer. E tem crescido muito o turismo regional. Quando a economia vai bem, o que é o caso do Brasil pós-crise, as pessoas têm orçamento mais tranquilo para destinar um valor para o turismo.
A vocação de Londrina é o turismo de negócios. Por outro lado perdemos eventos importantes por falta de infraestrutura, como um centro de convenções, e por não contarmos com atrativos naturais como Foz, que é concorrente direto na disputa dos eventos. O que precisa ser feito para colocar a cidade de forma efetiva no mapa turístico nacional?
Necessitamos de um espaço para receber convenções, eventos técnicos, científicos. Temos a possibilidade porque temos um perfil nas áreas de agronegócio, médica, pesquisa. Não temos um espaço ideal, só espaços improvisados. Mas temos a perspectiva de ter um centro de convenções no Marco Zero. O trade turístico tem buscado atrair investidores que vejam no centro de convenções uma oportunidade de negócio.
O brasileiro é hospitaleiro. A impressão é que falta, no entanto, a cultura de receber o turista com maior profissionalismo. É possível criar essa cultura, desde o dono do hotel até o taxista?
Promovendo campanhas de conscientização. A campanha vai funcionar para todo o setor produtivo. Para os setores que fazem parte da cadeia tem que ser feita uma série de qualificações para atender o turista a contento. Isso não só para a Copa e para as Olimpíadas, mas porque achamos que o turismo é uma atividade econômica bastante interessante.
O que falta então é que o governo e a sociedade abracem a causa do turismo?
Vejo isso muito mais aflorado do que há dez anos atrás. Mas podemos também avançar nessa questão. O turismo é uma atividade fantástica, que cresce muito. É a indústria sem fumaça e que tem um potencial para ser uma das principais atividades para mover o país. O brasileiro é bastante hospitaleiro e receptivo. Se formos corrigindo as deficiências vamos subir muito nos rankings de competitividade. Esses eventos são âncoras.

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