Não se pode afirmar que a redução do IPI, que alavancou o comércio nos últimos meses, foi apenas um refresco e que a bolha de consumo já começa a se desfazer. Sustentar isto seria referendar os elevados impostos, quando os dados mostram exatamente o contrário; mostram que menos imposto resulta em maior volume de dinheiro em circulação e maior liquidez na economia; vai da indústria têxtil à padaria da esquina. Os dados extraídos até agora da performance do comércio são suficientes para garantir que a redução de impostos teve resposta rápida.
Mas a redução mais significativa, a do IPI, não impede a preocupação dos empresários neste momento. Esta preocupação (não exposta até agora pelo bom desempenho da demanda na virada do ano; pela amplitude do crediário e redução das taxas de juros) tende a se caracterizar cada vez mais até as eleições. Não se pode, portanto, descartar a variável política das pautas de investimentos. O cenário agora é reticente e a razão é a definição da sucessão presidencial. Por onde quer que pende o fiel da balança, sempre haverá um hiato provocado pela expectativa no comando da política econômica. Foi maior na eleição de Lula em 2002.
Esta mudança de comportamento no meio empresarial, previsível e antecipada por esta FOLHA, está mais clara numa pesquisa divulgada ontem, referente ao segmento industrial. ''A confiança empresarial cai em abril'', confirma a pesquisa. O Índice que mede a Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou em abril em relação a março. A fonte é a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O indicador Icei caiu em abril em função da piora nas expectativas dos empresários sobre os próximos seis meses em relação à economia e um conjunto de fatores inclusive problemas da própria empresa. O indicador de expectativa caiu de 71 pontos, em março, para 69,7 pontos em abril. Já o indicador que mostra a avaliação das condições atuais subiu de 61 pontos em março para 61,5 pontos em abril. Dessa forma, o Icei, que é composto por essas duas variáveis, caiu de 67,7 pontos em março para 66,9 pontos em abril.
O comportamento do mercado é uma resposta, nem sempre rápida, à leitura de cenários pelos empresários. Que isso não vá além de expectativas efêmeras e que não implique em recuo da atividade produtiva que, portanto, não se traduza em recessão.

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