A Con­fe­de­ra­ção Na­cio­nal da In­dús­tria (CNI) ten­tou mos­trar on­tem o es­tra­go que um no­vo au­men­to nas ta­xas de ju­ros bá­si­cos (ta­xa Se­lic) fa­ria na eco­no­mia. O au­men­to po­de ocor­rer na pró­xi­ma reu­nião do Con­se­lho de Po­lí­ti­ca Mo­ne­tá­ria (Co­pom) em ju­lho. De ime­dia­to ha­ve­ria uma que­da bru­tal na de­man­da e con­se­quen­te de­sa­que­ci­men­to da pro­du­ção com na­tu­ral re­du­ção dos pos­tos de tra­ba­lho, ­leia-se de­sem­pre­go.
  A CNI diz que is­to já es­tá ocor­ren­do des­de o au­men­to an­te­rior dos ju­ros bá­si­cos, em ­abril. O go­ver­no pre­viu bai­xo im­pac­to nos ju­ros do mer­ca­do, mas o fa­to é que a me­di­da te­ve efei­tos di­fe­ren­tes. Pa­ra al­guns se­to­res a re­ces­são já se ma­ni­fes­tou. Fi­ca­ram de fo­ra al­guns ­itens bá­si­cos, mes­mo as­sim por­que o com­por­ta­men­to cau­te­lo­so do con­su­mi­dor foi rá­pi­do.
  O go­ver­no pen­sa di­fe­ren­te. O mi­nis­tro Gui­do Man­te­ga ha­via ga­ran­ti­do, se­ma­nas ­atrás, que os ju­ros au­men­ta­ram e o im­pac­to foi ze­ro. Pe­lo sim ou pe­lo não, os ana­lis­tas - fo­ra do go­ver­no e da CNI - en­ten­dem que ju­ros al­tos, qual­quer que se­ja a jus­ti­fi­ca­ti­va - no ca­so é pa­ra con­ter a de­man­da e evi­tar in­fla­ção -, só be­ne­fi­ciam os ban­cos. Per­dem a in­dús­tria, o co­mér­cio le­gal e prin­ci­pal­men­te os con­su­mi­do­res. Po­de­riam acres­cen­tar, com cer­te­za, que o go­ver­no tam­bém per­de por con­ta da re­du­ção dos im­pos­tos, de­cor­ren­te da re­du­ção da ati­vi­da­de eco­nô­mi­ca.
  A lei­tu­ra da CNI é que não há ne­ces­si­da­de de ele­var a ta­xa de ju­ros por­que a me­ta de in­fla­ção pa­ra es­te ano, de 4,5%, de­ve­rá ser cum­pri­da sem gran­des di­fi­cul­da­des. ­Pois é nes­te pon­to que eco­no­mis­tas dis­cor­dam da CNI. Ela faz sua ba­se de cál­cu­lo da in­fla­ção a par­tir da in­fla­ção pre­vis­ta pe­lo go­ver­no, a ofi­cial. ­Tais cál­cu­los são ma­ni­pu­la­dos. Os in­di­ca­do­res elen­ca­dos pa­ra apu­rar um nú­me­ro fi­nal são pro­je­ta­dos a par­tir de mé­dias. En­tram ­itens cu­jos pre­ços não se al­te­ram in­de­pen­den­te do que ocor­re com a ma­croe­co­no­mia. Há ­dois ti­pos de in­fla­ção: aque­la apu­ra­da pe­los ins­ti­tu­tos ofi­ciais, do go­ver­no, e a in­fla­ção ­real, aque­la da con­ti­nha fei­ta pe­la do­na de ca­sa de pos­se da lis­ta de com­pras do mês an­te­rior. Go­ver­no e CNI não ­usam es­ses cál­cu­los. Ne­nhum dos ­dois es­tá cer­to. A in­fla­ção do­més­ti­ca es­tá ­mais al­ta, des­de a com­pra de ma­te­rial es­co­lar no iní­cio do ano.

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