Indústria em xeque
Os reflexos de uma política econômica equivocada começam claramente a aparecer. A produção industrial caiu 3,2% ano passado, segundo dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É o pior resultado obtido desde 2009, quando o País sofria os efeitos do auge da crise mundial. Também é a primeira taxa negativa desde 2012. O desempenho de 2014 foi puxado pela indústria automotiva que, mesmo com a taxa do Imposto sobre Produtos Industrializados reduzida, não conseguiu reagir.
Reportagem de hoje desta FOLHA aborda a carga tributária que pesa sobre a indústria da transformação. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o peso de impostos e tributos para a indústria da transformação representou 45,4% do Produto Interno Bruto do setor em 2012. É a maior fatia de receita devida à arrecadação federal entre as atividades. A conclusão da entidade é que é mais rentável produzir e exportar bens primários do que industrializados no Brasil.
A consequência desse fator é a desindustrialização. Ainda que prematuro afirmar que o processo está consolidado no País, não se pode negar que tenha sido iniciado. Além da queda da produção industrial, a balança comercial acumula mensalmente resultados negativos o que significa que as importações têm sido maiores que as exportações. Além disso, cresce a desconfiança de empresários e consumidores com relação à condução da economia. A consequência disso é a redução dos investimentos fundamental para a modernização do parque fabril e do consumo.
Por isso, é importante que a sociedade se mobilize e exija mudanças radicais na forma de condução do País. Além da corrupção instalada na administração pública, é fundamental que ocorram alterações na política macroeconômica. Se anos atrás o Brasil sofreu os efeitos da crise global, é hora de buscar exemplos positivos em outros países para a retomada do crescimento.





