Indústria de doenças para vender cura
É estarrecedor saber-se que a indústria farmacêutica dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e alguns outros países cria doenças para depois vender a cura. O fato é agora levantado pelo jornal inglês The Guardian, mas essa denúncia não é nova. O relato da publicação inglesa é de que pessoas saudáveis estão sendo transformadas em pacientes por essas indústrias. A tática é divulgar problemas mentais e sexuais e promover condições médicas pouco conhecidas para, ao final, serem revelados remédios para tratamento. Lucrativas produtoras de medicamentos vêm apresentando novas drogas para tratar a síndrome das pernas inquietas, o transtorno bipolar, o déficit de atenção, a hiperatividade em crianças e a disfunção sexual feminina. Porém, estudiosos alertam que novas doenças estão sendo definidas ou exageradas por especialistas financiados, muitas vezes, pela indústria farmacêutica. É a venda de doenças, pelo convencimento das pessoas de que estão doentes, e assim induzi-las ao consumo de remédios. A intensa propaganda dos respectivos medicamentos corre paralela, convertendo vida normal em vida difícil. Problemas tidos como moderados são considerados doenças graves. A doutora Iona Heath, de Londres, diz que a promoção de doenças explora os mais profundos medos atávicos do sofrimento e da morte. É do interesse farmacêutico expandir o âmbito do normal, para que o mercado do tratamento seja proporcionalmente ampliado, ela afirma. As corporações farmacêuticas, segundo as denúncias, não operam sozinhas, mas com médicos, empresas de relações públicas e até políticos. A imprensa acaba cooperando, por divulgar as posições desses grupos. Certo é que uma pessoa sugestionada pode admitir que é portadora de um mal sem que o seja, e disto se valem os fabricantes e vendedores de remédios. Casos do gênero correm o mundo, prejudicando não só pessoas mas também animais e plantas. E da voz popular que pragas da lavoura foram disseminadas no mundo pelas indústrias que desenvolvem produtos para exterminá-las. Diz ainda o jornal citado que a Pfizer, produtora do Viagra, afirma que metade dos homens acima de 40 anos tem problemas com a função erétil, mas esse número é contestado por muitos estudos. A boa notícia é que, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária quer reavaliar o excesso de propaganda de medicamentos. A meta é combater o consumo exagerado de remédios. O mundo atravessa uma fase excessiva de medicação e de recorrência a tratamento médico, motivadas em grande parte pela indústria das doenças inexistentes ou transtornos comuns que não precisam de tratamento.





