Quando pensamos na força econômica do Paraná, é impossível não reconhecer o protagonismo da indústria de alimentos e bebidas. Presente no cotidiano de milhões de brasileiros, o setor tem papel essencial na geração de empregos, na transformação de matérias-primas e no desenvolvimento econômico e social do nosso estado. Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, temos uma oportunidade de reconhecer essa importância e refletir sobre os caminhos para tornar nossa indústria cada vez mais competitiva, inovadora e sustentável.

Os números demonstram a dimensão dessa atividade. Em 2024, a indústria de alimentos e bebidas respondeu por 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial paranaense. São quase 6 mil estabelecimentos e aproximadamente 266 mil trabalhadores empregados no setor. No mercado internacional, as exportações ultrapassaram US$ 8,6 bilhões em 2025, o que evidencia a capacidade das nossas empresas de competir e levar produtos de qualidade a consumidores de diferentes países.

Mas a importância dessa indústria vai muito além dos indicadores econômicos. Ela é responsável por transformar a força da produção agropecuária paranaense em alimentos de maior valor agregado, movimentando uma cadeia que envolve fornecedores de máquinas e equipamentos, embalagens, transporte, energia, tecnologia e serviços. Cada produto que chega à mesa do consumidor representa o trabalho de milhares de profissionais e empresas que contribuem para a economia do estado.

Também precisamos reconhecer a diversidade dessa cadeia produtiva, que contempla desde o processamento de carnes, grãos, leite e outros alimentos até segmentos como bebidas, alimentação animal e produtos funcionais. Essa variedade demonstra a capacidade das empresas paranaenses de atender diferentes mercados e acompanhar as mudanças nos hábitos e nas exigências dos consumidores.

Para que esse protagonismo continue, entretanto, precisamos enfrentar desafios importantes. Um dos principais é a necessidade de aumentar a produtividade diante da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. Nesse cenário, a automação, a digitalização e a inovação são fundamentais para aperfeiçoar processos, reduzir desperdícios, garantir padrões de qualidade e aumentar a eficiência das empresas.

Investir em tecnologia, porém, também significa investir nas pessoas. A modernização das fábricas exige profissionais preparados para lidar com novos equipamentos, sistemas e processos produtivos. Por isso, a qualificação profissional deve acompanhar a transformação tecnológica, criando oportunidades de desenvolvimento para os trabalhadores e melhores condições de competitividade para as indústrias.

No Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Fiep, entendemos que o diálogo entre empresários, instituições e demais representantes da cadeia produtiva é indispensável para identificar desafios e construir soluções para o setor. Precisamos incentivar a inovação, o acesso a novas tecnologias, a formação de profissionais e a abertura de mercados, especialmente para pequenas e médias empresas.

O Paraná tem uma vocação consolidada para produzir alimentos, mas nosso diferencial está também na capacidade de transformar essa produção em desenvolvimento. No Dia Mundial da Alimentação, mais do que celebrar a relevância do setor, devemos reconhecer que o futuro da indústria de alimentos e bebidas depende das escolhas que fazemos hoje. Valorizar essa cadeia, investir em conhecimento e estimular a competitividade são caminhos essenciais para que o Paraná continue sendo referência na produção de alimentos e na geração de oportunidades para toda a sociedade.

Daniel Kummel, coordenador do Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep)
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