Quando estava na presidência da ACIL, participei de uma sessão na Câmara Municipal de Londrina para discutir a industrialização do município. Na ocasião, fui convidado juntamente com políticos, empresários e ex-prefeitos da cidade.

Lembro-me de ter questionado o ex prefeito Wilson Moreira, que lá estava, sobre sua posição de que a verdadeira vocação de Londrina estaria mais voltada para o setor de serviços do que para a indústria.

Hoje, olhando para trás, acredito que ele tinha razão. Londrina tem crescido de forma muito mais expressiva no setor de serviços do que na atividade industrial. Creio que fatores como a distância do Porto de Paranaguá, além das deficiências em nossa infraestrutura ferroviária e rodoviária, acabam reduzindo nossa competitividade para a atração de grandes indústrias.

Por outro lado, nossa localização estratégica, a forte liderança regional e a qualidade das instituições de ensino superior têm atraído importantes empresas de serviços, como a Tata Consultancy Services (TCS), Mercado Livre, Magalu, Shopee e outras grandes organizações. Além disso, Londrina consolidou-se como um polo regional de comércio, shopping centers, bares, restaurantes, saúde e educação.

Isso não significa que devemos abandonar o esforço para atrair novas indústrias. Pelo contrário, precisamos continuar trabalhando nesse sentido, especialmente na atração de agroindústrias, segmento diretamente ligado à forte vocação agropecuária de nossa região.

Ao mesmo tempo, não podemos deixar de reconhecer a visão e a percepção que Wilson Moreira demonstrou naquela época. Os fatos mostram que Londrina, ao longo dos anos, consolidou-se como uma das principais cidades de serviços do interior do Brasil.

Rubens Augusto é sócio fundador e presidente do conselho da Vale Verde.


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