O Brasil vive um momento ímpar em sua história, onde as pessoas são constantemente surpreendidas com uma corrupção endêmica. Lideranças nas quais a palavra deveria ter um peso, falam de projetos e apresentam dados que não condizem com a realidade. Promessas sem nenhum comprometimento com a execução e a falta de responsabilidade com a população são diariamente denunciadas na mídia de todo Brasil.
Essas atitudes maquiadas têm por objetivo mostrar o verniz, mas não a essência, o conteúdo que deveria ser embasado nos valores morais, éticos, na virtude, na sinceridade, na preocupação com o próximo.
A população brasileira sempre foi vista como alegre, feliz, otimista. Uma pesquisa do Instituto Gallup Word Poll feita em 2014 apontava o brasileiro como um dos povos com maior confiança no futuro, a nota em uma escala 0 a 10 foi de 8,8. Entretanto, hoje o que se observa é a indignação, a desesperança, o medo do futuro.
Pesquisas realizadas recentemente demonstram que as emoções são contagiosas. As escolhas individuais são influenciadas pelo que o outro quer, pelo que faz, pelo que sente, segundo a neurociência. Os seres humanos possuem células cerebrais conhecidas como neurônio-espelho que tem por objetivo perceber o que as pessoas estão fazendo, sentindo, como se ele próprio realizasse o ato ou sentisse.
Quando se vive um momento em que predomina a emoção negativa, como o atual, sabendo que elas são contagiosas, como lidar racionalmente com isso? Até que ponto a propagação dessas emoções pode ajudar nesta crise?
Talvez, não se tenha resposta a essas questões, uma vez que não se tem o desfecho da crise, nem a noção da sua duração e extensão. Mas sabe-se que a melancolia, o desgosto e a desesperança em demasia podem fazer mal. Se esses sentimentos se instalarem, eles podem fazer a população adquirir o hábito de ser triste, pois o cérebro demora um tempo para buscar caminhos alternativos quando se está em sofrimento emocional. Pode-se perder a alegria do nosso povo e se instalar estados deprimidos, que acaba por agravar esse momento.
É necessário ser realista, perceber, entender e refletir sobre esse imenso problema que o Brasil está passando, perceber o quanto isso afeta a vida de cada um, de cada família e da maioria dos brasileiros.
A boa notícia é que não necessariamente se é contagiado por atitudes erradas quando se mantém firme em seus valores, em suas verdades, em seus objetivos, onde cada um desempenhe o seu papel da melhor maneira possível. O resultado será uma vida digna, com o exemplo sendo dado principalmente pela ação, pelas atitudes e os filhos terão um modelo a seguir.
Hoje precisamos tomar diariamente uma vacina que nos imunize desses sentimentos depressivos, desses exemplos negativos e crer que cada um, fazendo a sua parte, pacificamente, conscientemente, honestamente, pode-se ter um Brasil melhor...e o povo voltará a sorrir.

ELSIE SILVA é psicóloga em Londrina



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