Não acredito que os policiais possam resolver sozinhos a atual onda de assaltos ao comércio de Londrina. São ações violentas contra trabalhadores e clientes que deixam prejuízos morais e financeiros ao setor produtivo.

Minha empresa, que conta com mais de 500 colaboradores, já sofreu mais de 80 assaltos somente este ano, todos registrados em boletim de ocorrência.

Nós, empresários e trabalhadores, estamos impotentes e apavorados. Mesmo a pior de todas as crises econômicas que já tivemos em nosso País foi possível superar com inovação e coragem. No entanto, ao lidar com a criminalidade - com o agravante da inoperância do Estado - surge o desestímulo para novos investimentos. Chegamos ao ponto de fazer uma dura reflexão: ainda vale a pena mantermos as lojas abertas?

E não se trata apenas do segmento farmacêutico, onde atuo, e tampouco de empresas maiores. As pequenas sequer registram as ocorrências, restando aos seus proprietários a resignação e a humilhação de depender da sorte para escapar dos marginais, que nada temem e que aperfeiçoam seus métodos diante da impunidade quase absoluta.

O policiamento é ineficiente. O contingente não é o bastante, a frota de viaturas é pequena, além de sofrer com a falta de recursos para os insumos mais básicos, como é o caso dos combustíveis.

As forças de seguranças também são vítimas nessa história de fracasso. Sentem-se desprestigiadas pela comunidade quando é necessária uma ação mais efetiva diante de bandidos fortemente armados, são responsabilizados, como foram no conhecido episódio do início do ano.

Pagamos impostos para termos serviços públicos de qualidade, inclusive segurança. Porém, ao contrário disso, temos que arcar com nossos recursos mais segurança e mesmo assim ainda nos falta a paz necessária para continuar produzindo e empreendendo.

Colocamos alarmes, câmeras e contratamos empresas privadas de vigilância que – vejam só – não podem trabalhar armados, prerrogativa que as circunstâncias reservaram apenas aos meliantes. Ou seja, de nada vale a clareza do nosso texto constitucional: a segurança é um dever do Estado e um direito do cidadão.

Diante de tudo o que foi mencionado neste texto até aqui, resta uma dura realidade que insiste em se perpetuar. Os bandidos estão por aí, à solta, não respeitando lei alguma, pois sabem que seus atos não terão consequências. Estão livres!

Já nossos funcionários recebem treinamentos constantes para não reagirem contra abordagens cada vez mais hostis. Eles trabalham constrangidos com a possibilidade real de ver o estabelecimento invadido a qualquer momento.

É uma situação inaceitável. Não podemos admitir mais este desfalque de recursos, de energia e de esperanças.

Chegou a hora dos empresários se unirem em torno desta causa e liderar ações como o "Chega de luto", movimento contra a violência que a cidade abraçou. Na ocasião, conseguimos avanços importantes como o aumento no número de policiais nas ruas, a ampliação das patrulhas ostensivas com reforço no número de viaturas e até mesmo a criação de uma nova companhia da Polícia Militar na zona norte.

Aquele sempre será um exemplo a ser seguido, quando a união em torno desta questão nos deu a força necessária para enfrentá-la. Não podemos perder mais tempo e mais dignidade. Temos que virar este jogo!

RUBENS AUGUSTO é empresário em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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