Indiferença ante os assassinatos
Continua assustador o volume de assassinatos em Londrina, já chegando a uma centena nestes sete meses do ano. Nos anos imediatamente anteriores não foi diferente, o que veio situando a cidade no ranking das mais violentas do País. O que desalenta é constatar que nada se fez de eficaz para mudar a situação, parecendo coisa já rotineira e sobre a qual ninguém mais faz caso. As vítimas são na maioria jovens que fazem a distribuição miúda das drogas, e o fato de estarem envolvidos com uma forma de criminalidade, e por serem pobres, leva a comunidade a não se importar. A declaração pública de uma autoridade da área da segurança, algum tempo atrás, de que a sociedade não estava fazendo cobranças a respeito, significando dizer que não estava preocupada com o fato, teve o tom de avalizar essa corrente interminável de crimes, sob a sinistra justificativa de que, afinal, eram deliquentes que estavam sendo exterminados ou auto-exterminando-se. Por todas as formas, não se pode aceitar que uma sociedade dita civilizada tenha, eventualmente, esse pensamento, porque tal será admitir a execução sumária, em outras palavras a pena de morte. É total a indiferença dos cidadãos, e assim as autoridades, por não serem cobradas, sentem-se tranquilas e ficam acomodadas. A questão, depois que o crime está consumado, nem é saber quem matou quem, se os envolvidos pertencem ao mesmo círculo da miséria social e da consequente delinquência os denominados formiguinhas, que fazem o serviço de distribuição individual da droga mas se existem mandantes e quem está por trás do tráfico pesado numa cidade como Londrina. Este o enfoque central da questão e esta é tarefa da Polícia. Se as mazelas sociais constituem um problema de vasta abrangência e cuja solução depende de uma mobilização nacional, envolvendo o governo e a sociedade, conter os traficantes é ação estratégica que só pode ser praticada por investigadores e tropas de choque armadas e treinadas. É voz corrente que a Polícia tem indicativos para chegar aos traficantes mais graúdos, e a pergunta é por que, com tanto crime a mexer nesse cancro e a alertar que há um comando mais alto da criminalidade antes de cada assassinato, nada se investiga e ninguém seja detido. É elementar que não são essas vítimas jovens os mortos e os matadores que trazem de fora as drogas e gerenciam o negócio. Há indivíduos bem mais adultos por trás de tudo, e capturá-los não é nenhuma missão impossível.





