Indício de moralização ou oportunismo?
Embora ainda pequeno, é um passo no sentido da moralidade o tomado pelos deputados federais extinguindo o pagamento de salário dobrado nas convocações extraordinárias. A decisão ainda precisa ser aprovada pelo Senado, mas tudo indica que a confirmação será tranqüila. Isto envolve também os funcionários. As votações contrárias, dentre os presentes, foram apenas 9, e nenhuma do Paraná. Esse corte de auto-benefício deve ter causado surpresa geral da nação, porque não é coisa comum os políticos aliviarem o cofre público em alguma coisa. A economia desses gastos de sessões extras, que nada de relevante decidem, possibilitaria a construção de um volume de obras como 10 mil casas populares. Alguns dos que desaprovaram a histórica decisão ainda inexpressiva diante das faustosas mordomias manifestaram-se indignados, afirmando que tal ocorreu por pressão dos veículos de comunicação e não do povo. Bom que a mídia tenha esse poder, mas tudo o que a imprensa ditatorial (como a qualificou um deputado) denuncia e condena, emana do clamor popular. Ela é apenas a caixa de ressonância das vozes que irrompem do seio das massas. O fim da remuneração extra não extingue as pomposas regalias que ainda contemplam os parlamentares, como os 15 salários anuais: os 12 regulares (embora os 3 meses de recesso não deveriam ser pagos), mais o 13º e dois outros a título de ajuda de custo. E ainda o direito a um apartamento funcional ou auxílio-moradia, e mais verba de gabinete e para a estrutura do parlamentar em seu Estado. Para não falar dos eventuais mensalões e outros dinheiros que possam lhes chegar por via das malas pretas. Um polpudo emprego, por isso a luta ferrenha por eleger-se, porque, se for feito um exame de consciência se constará que o objetivo é o ganho e o poder e não a prestação de serviço público. Imagina-se que, doravante, sem paga, desaparecerão do cenário as tais sessões extraordinárias. Vejamos agora se as Assembléias Legislativas, que sempre se baseiam no Poder Legislativo mais alto para definir seus porcentuais de ganho, sigam o exemplo e também cortem os salários das sessões extras. O presidente da Casa, Hermas Brandão, deveria adiantar-se e apresentar um projeto idêntico. A sugestão vale para as Câmaras Municipais, que também se espelham nas casas legislativas superiores quando estabelecem sua remuneração e as mordomias. É o momento de ver se tais exemplos valem também em sentido contrário ou os se deputados e vereadores vão fazer-se de desmemoriados. A decisão de Brasília também dimimui o recesso parlamentar de 90 para 45 dias, tudo dependendo ainda de novas votações. Foi um pequeno passo, porém importante como exemplo, embora tal aconteça em ano eleitoral, que propicia gestos como este e oportunismos.





