Índices para alavancar o governo
Há um esforço das instituições de pesquisas do governo em mostrar dados otimistas. Assim, repete-se com certa frequência o número de famílias que vêm conseguindo transpor a linha da pobreza. A ascensão da classe assalariada para o patamar da classe média. O aumento do consumo de alimentos e bens duráveis e não duráveis. Enfim, são índices em profussão, todos convergindo para uma atmosfera de otimismo da sociedade - o que é positivo -, e para um triunfalismo governamental, o que nem sempre é positivo. Muitos desses índices são verdadeiros e não é difícil concluir que a estabilidade econômica proporcionou uma boa performance para o consumidor. Nem tudo, porém, deve ser creditado ao governo. Pelo contrário, muitas coisas avançaram, apesar do governo. Da mesma forma que o governo teve mais sorte do que juízo em uma série de outras questões. Mas o importante é que o povo está mais feliz, independente da origem. Se o governo reivindica para si a boa performance, nada nada a objetar.
A propósito, ontem saiu um dado importante. A construção civil, um dos setores que mais empregam, retoma o ritmo de crescimento dos melhores momentos nas últimas décadas. A sondagem trimestral da FGV/Ibre e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP) aponta também a retomada do setor ao maior nível da série histórica em maio. O indicador nacional dos entrevistados sobre o desempenho de suas empresas subiu 5% no trimestre, para 59,95 pontos, mesmo nível atingido em maio de 2008.
Importante: Segundo a sondagem, em um ano o indicador acumula alta de 30,5%. Conforme a FGV/Ibre, o atual otimismo está fortemente relacionado às perspectivas, também bastante positivas, para o restante da economia. A recuperação do investimento observada desde o segundo semestre do ano passado tem criado novas frentes de negócio, além do imobiliário, para os empresários do setor.
Em relação às perspectivas de desempenho, o indicador nacional ficou em 63,21 pontos, com expansão de 1% no trimestre e de 20,5% em 12 meses. O indicador de condução da política econômica registrou 53,09 pontos, com queda de 8,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e alta de 2,4% em relação a 12 meses. Quanto ao crescimento econômico, o indicador ficou em 67,43, com alta de 4,4% no trimestre e de 92,8% em 12 meses.





