A semana também não terminou bem para a economia. Em dias bastantes tensos para o mercado financeiro, o dólar encerrou a sexta-feira com a maior cotação desde abril de 2009 valendo R$ 2,26; o Ibovespa (principal índice de ações da bolsa brasileira) caiu 4,6% nos últimos cinco dias, puxado pelas mudanças na política econômica dos Estados Unidos.
Outros indicadores ainda podem ser considerados: a criação de vagas formais de emprego em maio atingiu o pior resultado para o mês em pelo menos dez anos, com a abertura de 72 mil novas ofertas, segundo dados do Ministério do Trabalho; o saldo negativo nas transações correntes do Brasil também atingiu recorde histórico (considerando a série iniciada em 1947), com a soma de US$ 6,4 bilhões no mês passado; apesar da desaceleração da prévia do índice oficial da inflação em junho, segundo o IBGE, nos últimos 12 meses o percentual acelerou a acumula alta de 6,67%, contra 6,46% em maio, resultado superior ao teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central.
Apesar de analistas se apressarem ao afirmar que os resultados negativos, principalmente os registrados pelo mercado financeiro, não foram impactados pela onda de protestos que atingiu o Brasil nesta semana a relação é inevitável. Não parece prematuro afirmar que investidores estrangeiros poderão ficar receosos ao planejar ou manter seus investimentos no País. Obras que melhorem a infraestrutura brasileira beneficiarão toda a população e uma eventual fuga de capitais pode ser prejudicial a todos.
No entanto, não se pode negar que os protestos foram, de certa forma motivados pelos indicadores citados. Há uma insatisfação generalizada com a condução da política nacional e da economia. Impunidade aos condenados por crimes de "colarinho branco", relações promíscuas entre Executivo e Legislativo, as últimas tentativas do Congresso Nacional de barrar investigações do Ministério Público, somadas à alta carga tributária e à péssima qualidade dos serviços públicos se somaram ao cenário. A população está indignada com a situação como um todo. Apesar da chamada inclusão social, tão aclamada pelo governo federal por meio dos programas de distribuição de renda, não há avanços. A classe política tem que reconhecer isso e passar a atender a população. O recado está claro.

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