O que o ministro Guido Mantega chama de ‘‘aquecimento salutar da economia’’ ou então, apenas um retorno ao ‘‘crescimento normal’’, na verdade são prenúncios de um período de ‘‘desaceleração’’. Bem mais grave, portanto. Mantega analisa pelos números de três meses atrás. Neste caso, a estabilização da atividade econômica - em maio -, depois de 16 meses de crescimento, de fato não deve preocupar o governo, como ele diz. Até porque isto já passou.
  O que se tem em mãos neste momento, são indicadores do Banco Central, sobre o qual os técnicos da Fazenda devem debruçar nos próximos dias e tentar algum antídoto para evitar que a ‘‘desaceleração’’ (linguagem de eufemismo para não falar recessão, que é um termo forte) evolua para queda da produção industrial seguida de desemprego. Não adianta dissimular só porque estamos em ano eleitoral.
  Esse artifício Delfim Neto usava 30 anos atrás. Dizia ele: ‘‘Não há recessão, apenas a economia passou a crescer de forma gradual, com os pés no chão; um crescimento real’’. Gente, isto é conversa fiada. Mas pode até virar verdade porque depois vêm os dados do próprio governo mascarando os números, tantas vezes falseados quando necessário para a boa imagem.
  Indicador mostra freio no crescimento. Em resumo é o que constatam os técnicos do BC. Diz a Folhapress: ‘‘A economia brasileira manifesta novos sinais de desaceleração, de acordo com o novo indicador do Banco Central criado para tentar antecipar a tendência do PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país’’.
  No lugar de omitir os sinais de recessão apurados pelo próprio Banco Central, o governo poderia adotar medidas para reverter a tendência: abrir linhas específicas de crédito no setor industrial, ampliar o financiamento da atividade comercial e abrir mão de alguns dos tantos tributos que fazem do Brasil um país estatal rico em detrimento de uma economia combalida. Se esse não é o quadro atual, pelo menos essa é a tendência.

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