Embora o incentivo à agricultura familiar esteja entre os programas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é na produção em escala que reside um dos largos caminhos para a redenção econômica do Brasil, porque, além do abastecimento interno, há que pensar em obter mais divisas com a exportação. A indicação de Roberto Rodrigues para o Ministério da Agricultura, no novo governo, atende aos ideais dessa política, e seu nome, para a função, foi bem recebido pelas lideranças do agronegócio. Depois de Pratini de Moraes, cuja gestão tem sido aplaudida pelo meio rural, haveria de ser indicado um ministro que desse continuidade ao seu trabalho, e Rodrigues se encaixa nesse perfil. Este o consenso da maioria das associações da classe agrícola e pecuária, inclusive as do Paraná.
Roberto Rodrigues é presidente da Associação Brasileira de Agribusiness, já foi presidente da Sociedade Rural Brasileira e da Organização das Cooperativas Agrícolas do Brasil. É bem articulado para o cargo e com visão de mercado externo. Sua indicação atende ao que o segmento da produção rural queria, porque ''ele está acostumado aos fóruns de negociações internacionais e dará prosseguimento ao trabalho de abrir mercados e derrubar barreiras protecionistas'', como têm declarado alguns companheiros da liderança agrícola. Embora não caiba somente ao Ministério da Agricultura a gestão da política agrícola - porque esta deve ser, no conjunto, uma política de governo - um nome de consenso do agronegócio ganha força, justamente porque sustentado por esse respaldo.
Enquanto isso ocorre, outro nome vinculado ao agronegócio é indicado para a equipe ministerial de Lula: o de Luiz Fernando Furlan, para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Furlan é presidente do Conselho de Administração da Sadia, foi um dos responsáveis pela consolidação dos produtos da marca no exterior e é tido como entendedor das negociações comerciais externas. Sua indicação está sendo considerada um bom sinal, sobretudo para os negócios com a União Européia e com o Mercosul.
Com excedente de produção agrícola para o mercado interno - embora a política de má gestão na distribuição - os ideais de exportação dos produtos do agronegócio ganham força com a indicação de nomes como os desses dois futuros ministros. Sem prejuízo para a mini-agricultura - cujo desenvolvimento foi uma das pregações de campanha de Lula - a atenção para o incremento das exportações é o rumo acertado, porque, com reforço do superávit na balança comercial externa, todos os problemas sociais serão mais facilmente solucionados, inclusive o da própria agricultura familiar.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina

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