Índia respira aliviada com o fim de concurso
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segunda-feira, 25 de novembro de 1996
Reuter 
A coroada
A grega Irene Skliva, uma modelo de 18 anos, foi escolhida Miss Mundo sob o protesto de centenas de manifestantes contrários ao concurso que, segundo afirmam, degrada a mulher e os cinco milênios de herança cultural da Índia
BANGALORE, Índia - Após o encerramento do concurso Miss Mundo, no qual a brasileira Anuska Prado ficou em terceiro lugar, a Índia respirou aliviada ontem depois de semanas de protestos e ameaças. Estamos aliviados que tenha terminado. Agora podem fazer o que quiserem, disse um agente da polícia, referindo-se às mulheres que haviam ameaçado se imolar em protesto contra o concurso.
No sábado, a grega Irene Skliva foi coroada como Miss Mundo. A colombiana Carolina Arango, 19 anos, ficou em segundo lugar, seguida por Anuska, 20 anos.
Skliva, uma modelo de 18 anos, foi coroada minutos depois que a polícia deteve mais de 1.500 manifestantes na cidade sulista indiana de Bangalore.
Os confrontos aconteceram durante todo o sábado na cidade, conhecida como O Vale do Silício por sua grande concentração de indústrias de alta tecnologia, e deixaram pelo menos sete policiais feridos e o ar saturado de nuvens de gás lacrimogênio.
Entretanto, no interior do fortificado Estádio de Criquete, o espetáculo transcorreu sem incidentes e ao ritmo da cadenciada música tradicional indiana. Skliva recebeu o cetro da última Miss Universo, a venezuelana Jacqueline Aguilera.
O evento foi realizado sob um esquema de segurança sem precedentes e fortes medidas para impedir ataques dos manifestantes, que afirmaram que o concurso degrada a mulher e os cinco milênios de herança cultural da Índia. Os organizadores disseram que o concurso foi visto por dois milhões de telespectadores em todo o mundo.


