A demora da Justiça Eleitoral em julgar os processos de impugnação de candidaturas a prefeito e a vereador resultou em que, até agora, 146 casos ainda estejam pendentes, faltando apenas 5 dias para as eleições. O prazo-limite era o último dia 25 e, como decisões não foram tomadas até então, os casos se afunilaram criando expectativa entre os próprios candidatos, os partidos de quem for impedido de concorrer e os eleitores. Espera-se que até amanhã tudo seja decidido.
  Há o caso de um município do Paraná cujos dois únicos candidatos a prefeito estão na lista das pendências, não se imaginando o que possa ocorrer se o impedimento de ambos for confirmado. Já não há tempo para alteração técnica na programação das urnas eletrônicas, então as alternativas são três: 1) na eleição de prefeito, que é a que mais interessa ao eleitorado, o partido de um eventual candidato impugnado terá que indicar outro, a toque de caixa, se desejar; 2) o partido não indicar ninguém como substituto; 3) ou o nome em julgamento receber a aprovação da Justiça e tudo correr normal.
  Um caso inusitado acontecerá se o partido apontar outro nome: a fotografia e o número do impugnado permanecerão no visor da urna, e os votos para o outro terão de ser dados para esses indicativos. Se esse candidato virtual (e esta é a denominação) for eleito, não leva, porque a votação irá para quem o susbstituir. Se o partido optar por não indicar um substituto, os votos que os eleitores, mesmo assim, resolvam dar ao impugnado (porque foto e número estarão ali e a máquina os registrará), essa votação perderá validade. Todas essas variáveis – que melhor será dizer um tumulto na cabeça do eleitor – não estariam na perspectiva de ocorrer se a Justiça não houvesse demorado tanto para decidir. A legislação possibilita tais recursos de emergência, mas em casos como estes em julgamento, as decisões já deveriam ser questão liquidada.
  Ocorre ademais que a esta altura a maioria dos eleitores já decidiu em quem votar, e onde há situações pendentes pode haver alterações de última hora. A democracia fica ferida, porque pode acontecer de o eleitor adotar uma opção forçada ou ver-se na contingência de não votar em mais ninguém.

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