Indagação sobre tecnologia de pontes
Se o deslizamento de terra move a cabeceira de uma ponte, será inevitável a quebra da estrutura, e os cidadãos leigos mas nem por isso desprovidos de senso de lógica indagam como a engenharia não prevê que tal possa acontecer e por que essa parte também não é alicercada na rocha, como ocorre com os pilares. No episódio do ''crack'' da ponte sobre a BR-116 a fatídica Rodovia Régis Bittencourt de tantos acidentes as colunas não se abalaram, justamente porque solidamente assentadas, mas as extremidades que tocam a margem não têm a mesma estrutura (o assentamento na rocha) e por isso ficam vulneráveis. Até que a engenharia prove o contrário e parece difícil, porque a cabeceira rodou a questão fica levantada. Parece evidente que reside aí um erro estrutural, porque as águas da represa nunca abalaram os alicerces, mesmo quando ocorrem grandes enchentes. Como os dois pólos se assentam, em boa parte, sobre a terra, uma erosão do solo motivado pela água das contínuas chuvas do momento levará de roldão tudo o que está na superfície. Qualquer pessoa de mediano conhecimento é livre para indagar por que as partes finais (as cabeceiras) de uma obra de tamanha envergadura não tenham fundações com a idêntica solidez dos pilares. Estes também pode partir-se em suas bases, mas será preciso um terremoto de grande intensidade, o que não ocorre no Brasil. É óbvia a força das águas que minam por baixo de uma estrutura, por isso um episódio como o que acaba de acontecer não deve ser nenhuma surpresa para a engenharia. Tudo pode-se argumentar, menos que este foi um fato imprevisível. Parece elementar que algo falta na tecnologia das pontes, pelo simples exemplo do que acaba de acontecer. Onde a fatalidade? Para tal, haveria de ter acontecido algo como um deslocamento das placas tectônicas, a erupção de um vulcão, como ocorre em países propensos aos fenômenos e como ocorreu na Tailândia com as ondas gigantes. Se aconteceu com a ponte da BR-116, pode acontecer com outras, pelas razões apontadas. A morte de um motorista, prejuízo material de grande monta que o povo terá de pagar, pois é a ele que chega a conta átranstorno para o tráfego na movimentada rodovia, não podem deixar por menos de uma reflexão sobre até onde a engenharia deste início de terceiro milênio já olhou para todos os ângulos de uma estrutura e se está apta para dar a última palavra.





