Mesmo com dinheiro sobrando o Governo federal não consegue realizar obras e dar atendimento a alguns serviços essenciais de manutenção, que lhe são afetos. A revelação de ontem, estampada nos jornais, é que R$ 22 bilhões estão disponíveis, para os dois meses que restam do ano, e precisam ser gastos, seja em investimentos ou outros destinos que não os compromissos regulares. A não-utilização desse dinheiro ocorre pela incapacidade governamental, que não permite a realização de nada. É verba que, se não utilizada, cai em exercício findo e terá de ser reprogramada para outras rúbricas. Segundo projeções feitas, esse montante daria para vacinar 66 vezes todo rebanho bovino brasileiro (de 200 milhões de cabeças); ou duplicar o correspondente a 22 vezes a rodovia Regis Bittencourt, conhecida pelos acidentes e mortes, face à má convervação; ou realizar 5 vezes o correspondente às obras de transposição do rio São Francisco. Todo esse montante ficou parado, quando poderia ter gerado tanto desenvolvimento, em forma de obras, melhoria da infra-estrutura instalada e, por conseqüência, gerando empregos e dado giro mais veloz à roda da fortuna. Não se pode, portanto, depositar mais fé num governo que não faz, mesmo tendo recursos financeiros. Há governantes que realizam, mesmo sem grandes verbas, porque pródigos em idéias e vontade política, e outros que nada fazem, mesmo abarrotados de dinheiro. O que mantém a imagem negativa do Governo Lula nem é a erupção dos escândalos da corrupção e sim essa inoperância, que se arrasta nestes três anos da atual administração, sem indicativo de mudança. Segundo os economistas que fizeram a projeção sobre o que fazer com tanto dinheiro, a razão desse acúmulo de recursos é que o superávit ultrapassou a meta, a arrecadação tributária aumentou e os ministérios não gastaram grande parte desses meios, por contingenciamento ou ineficiência. E o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, diz que ainda quer mais, porque – não obstante a disponibilização daqueles bilhões não utilizados – lhe apraz a idéia do cofre do Tesouro cheio. Inoperância, corrupção, ausência de projetos, contralização de renda em poder da máquina pública e escassez no meio circulante e no âmbito do sistema produtivo nacional. Esta a realidade, sem nenhum vislumbre de que vá se alterar para melhor, porque o Governo que aí está não aponta para nenhum rumo. Falando-se genericamente, no Brasil tudo está por fazer, pela corrosão da infra-estrutura, casos das rodovias e demais sistemas de escoamento, dos portos, das defesas ambientais (a Amazônia como foco central), o drama da indústria da seca nordestna, e por extensão as deficiências nas áreas da saúde, da segurança, da educação, da moradia. Tudo isto acontecendo com dinheiro em caixa, destinado a fins desenvolvimentistas mas não utilizado em tempo hábil, por inoperância dos ministérios e falta de metas e de comando da administração central.

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