A tributação de produtos produzidos no Brasil ou importados tem reflexo direto na administração das empresas.
Quando um governo onera um produto com tributação e diminui a taxa de imposto em determinados produtos, o faz para estabelecer um equilíbrio entre os concorrentes nacionais ou para não impactar o bolso do consumidor, entre outros motivos.
Durante os anos 1970, ainda sob a ditadura militar, muitos produtos consumidos no Brasil deixaram de ser importados para possibilitar o estímulo à indústria nacional. Outros produtos foram sobretaxados com o mesmo propósito. O resultado dessa ação administrativa na economia trouxe seus frutos na geração de empregos e diminuição no deficit das contas de importação. Embora a qualidade dos produtos similares aos importados deixasse a desejar a indústria nacional teve a alavancagem esperada.
Atualmente, tem-se visto muitas críticas desfavoráveis à ações governamentais nessa área e tais ações trazem suas consequências a curto e longo prazos.
Um exemplo recente foi o aumento na taxa de importação de pneus e câmeras para bicicletas. Esses produtos vindos dos países asiáticos, mesmo sendo sobretaxados, continuam sendo consumidos tamanha a diferença de competitividade com os produtos similares nacionais.
Particularmente, considero essa ação incorreta. A meu ver o problema está no sistema tributário brasileiro que não parte, em suas ações, de uma política com uma única orientação ou fim. Isso acarreta distorções tamanhas que muitos setores empresariais por mais competitivos que sejam não a conseguem transpor.
Como Norman Gall diz: "O Brasil é mais uma economia de transferência". O mesmo Norman Gall, diretor do Instituto Fernando Brandel de economia mundial em uma entrevista à revista Época de março/2014 escreve: "Não se pode depender do socorro de médicos cubanos para cuidar da saúde. É preciso capacitar o povo".
Concordo com essas palavras do sr. Norman Gall, americano naturalizado brasileiro, e cito o exemplo da compra de caças que o governo brasileiro fez recentemente com o propósito maior de construí-los aqui.
A falta de continuidade de políticas corretas que estimulam a economia - causada pelas desordens do sistema jurídico/político brasileiro - só tem trazido malefícios à condução da administração pública. Como resultado disso, vemos brigas judiciais sem fim e obras que custam milhões de reais sendo deterioradas. Dinheiro mal aplicado de impostos cobrados, inclusive de produtos importados.
Medidas corretas e ações administrativas que trazem benefício num país de população empobrecida, como a brasileira, não deveriam ser prioritariamente construir estádios de futebol de milhões de reais que muitas pessoas consideram poderem ser construídos com menos recursos. Há vários outros exemplos de ações populistas, mas se houvesse por parte dos governos firmeza na condução de coisas públicas elas não seriam lembradas.
Esse resultado, visto em outros países como desperdício de dinheiro público, só traz vantagens competitivas para eles que continuam taxando pouco seus produtos e fazendo na maioria das vezes obras que beneficiam sua população. Enquanto eles potencializam suas forças no sentido racionalmente correto para capitalizar suas economias, o Brasil não vem procedendo dessa forma, mas eu não sou o primeiro nem serei o último a ver essas questões. Não é minha a frase: "O Brasil não é um país sério".

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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