Inclusão no mercado de trabalho
Um comentário em rede social da desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, poucos dias atrás, chamou a atenção para o preconceito contra pessoas com Síndrome de Down, justamente às vésperas do Dia Internacional da Síndrome de Down. A mensagem duvidava com ironia da capacidade profissional da primeira professora de educação infantil com a Síndrome de Down do Brasil, Débora Seabra, de Natal (RN). Em tom de deboche, a magistrada perguntava o que a professora ensina e a quem. A resposta de Débora, ganhadora de seis prêmios da área de educação, veio em formato de carta escrita à mão. "Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais", ensinou, lembrando que preconceito é crime. Na edição deste final de semana (24 e 25), a FOLHA traz reportagem mostrando que o processo de inclusão no mercado de trabalho avançou, mas não o suficiente. Infelizmente, ainda são poucos os casos de pessoas negras, por exemplo, que ocupam cargos de destaque nas empresas brasileiras. A matéria mostra exemplos de firmas que perceberam que a pluralidade de ideias é positiva e surge das diferentes histórias de vida e de cultura que formam o seu quadro de funcionários. E traz um recorte sobre as dificuldades que as mulheres, principalmente as negras, encontram para subirem na carreira profissional em grandes corporações. Segundo uma consultoria especializada em diversidade étnico-racial, ouvida pela FOLHA, apenas 4,6% das 500 maiores empresas do Brasil contam com mulheres em cargos executivos. E quando se observa a quantidade de mulheres negras executivas, o percentual é menor ainda. Apenas 0,4% das mulheres em cargo de gerência e direção são negras. Discutir o preconceito é uma forma de combatê-lo. É importante para informar os trabalhadores que há empresas que adotam uma política de inclusão e também para despertar os empresários para essas questões.





