A estabilidade da economia – com a manutenção do emprego e da renda e o crédito farto – somada à quebra de paradigmas com relação ao uso da tecnologia contribuíram para fortalecer a inclusão digital entre os brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a proporção de pessoas que utiliza a internet passou de 20,9% (2005) para 46,5% (2011).
Ainda que defasados, uma vez que se refere ao comportamento do brasileiro medido há dois anos, os números reforçam a popularização da internet no País. Não se pode esquecer que os telefones celulares – simbolizados pelos smartphones – têm papel fundamental na inclusão digital. Seja pela "atração tecnológica" ou para uso profissional (a partir do acesso a e-mails corporativos), atualmente é difícil encontrar uma pessoa que esteja completamente off-line.
Tanto que, segundo a pesquisa, enquanto a população de 10 anos ou mais cresceu 9,7% entre 2005 e 2011, o contingente de pessoas nessa faixa etária aumentou 143,8% e o das que tinham telefone móvel celular para uso pessoal cresceu 107,2%. O maior acesso ainda é entre os mais jovens, no entanto, o mais surpreendente da pesquisa é que o mundo virtual também faz parte do grupo de pessoas "sem instrução e com menos de quatro anos de estudo". O percentual passou de 2,5% para 11,8%. Outro dado interessante é que o número de internautas aumentou em todas as classes de rendimento mensal domiciliar per capita, especialmente nas mais baixas.
No entanto, o maior número de internautas não foi suficiente para fazer com que a qualidade da conexão melhorasse. Com planos de tráfego de dados ainda caros e velocidade reduzida, seria importante que as operadoras investissem em qualidade. Além disso, um projeto deve ser traçado, com cronograma para o estabelecimento de metas, inclusive que contemplem a expansão da rede para o interior do País. A popularização da internet não trará benefício nenhum ao País se a qualidade continuar ruim.

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