Incentivos à economia e PIB
Indicadores já divulgados - como a queda da atividade industrial e do consumo de energia elétrica - corroboram o pífio desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O indicador registrou aumento de apenas 0,4% no segundo trimestre do ano. Comparativamente, o resultado é melhor do que o registrado nos primeiros três meses do ano, que atingiu alta de 0,1%. No entanto, o desempenho é inferior ao de países como México (0,9%) e Chile (1,6%). No acumulado do ano, o resultado ficou em 1,2%, também abaixo do registrado na China (7,6%) e nos Estados Unidos (1,7%).
O desempenho ruim foi puxado, principalmente, pela indústria. No geral, o segmento amargou queda de 2,5%, mas três das quatro atividades registraram taxas de variação negativa: -2,5% observada na indústria de transformação, seguida por extrativa mineral (-2,3%) e construção civil (-0,7%). O destaque do período foi a agropecuária, que teve crescimento de 4,9% no volume do valor adicionado. Já os serviços registraram aumento de 0,7%. No primeiro semestre o PIB teve aumento de 0,6%, em relação a igual período de 2011.
Outro fator que contribuiu para o desempenho foi o desequilíbrio da balança comercial. As exportações caíram 3,9% no segundo trimestre na comparação com o período anterior, enquanto as importações de bens e serviços cresceram 1,9%.
Agora, o governo aposta na reversão do quadro neste segundo semestre. Tradicionalmente o consumo cresce neste período, puxado pelo 13º salário dos trabalhadores e pelo aumento da confiança dos consumidores. Outro argumento é o aumento do salário, uma vez que a maioria das categorias conseguiram reajustes superiores ao índice de inflação. O ciclo de redução da taxa básica de juros também deverá contribuir para um desempenho positivo. Nessa semana, o porcentual caiu 0,5 ponto para 7,5% ao ano. No entanto, será preciso quase um milagre para que a economia se recupere e termine o ano com um resultado um pouco mais positivo. Analistas já preveem índice de 2%.
Os vários estímulos concedidos pelo governo ainda não surtiram os efeitos desejados na economia, seja pela saturação das medidas, pelo agravamento da crise ou pelas deficiências na infraestrutura do País. Portanto, já passou da hora de promover mudanças mais perenes para se conseguir resultados mais efetivos.





