Incentivos à cadeia produtiva
O reajuste de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados, anunciado na última quinta-feira, é apenas uma medida paliativa que não resolverá o problema da indústria nacional. O argumento do governo federal é de proteção às montadoras instaladas no País frente à concorrência de veículos provenientes do exterior. Por isso, o objetivo iminente é encarecer os produtos importados.
O mercado de veículos novos vem batendo sucessivos recordes, mas já há sinalização de formação de estoque. Um fator preocupante, dada à redução da oferta de crédito e ao surgimento de uma nova crise econômica mundial. No entanto, medidas protecionistas definitivamente não são uma solução. Especialistas já sinalizaram que a elevação do IPI contraria um dos princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) porque cria discriminação de produtos importados. Um dos pilares da OMC consiste na isonomia de tratamento entre o produto nacional e o estrangeiro, uma vez que a tributação não pode diferenciar produtos pela origem. No entanto, a OMC só irá atuar se outros países se sentirem prejudicados e questionarem. E várias outras nações adotam medidas semelhantes para proteger suas indústrias.
Concessionários ouvidos pela FOLHA já sinalizam com uma redução nas vendas de até 70%. No entanto, é certo que os veículos que têm ganhado mercado dos nacionais são os compactos, em sua maioria importados da China, com preços bem menores do que os praticados pelas montadoras nacionais. Hoje, os chineses são uma ameaça real, mas não só para a indústria automotiva.
No entanto, não seria mais interessante - para todos os segmentos da cadeia produtiva - se o governo investisse em políticas sólidas de desenvolvimento da economia? Alta carga tributária, elevados encargos sociais e trabalhistas, juros dos mais altos do mundo, infraestrutura deficiente e o excesso de burocracia são problemas enfrentados diariamente e que tornam os produtos brasileiros menos competitivos. Esse cenário, inclusive, tem contribuído para a desindustrialização de alguns segmentos. Medidas inconsistentes certamente não surtirão o efeito desejado. O ''custo Brasil'' continuará alto.





