O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, está anunciando um programa para incentivar o turismo interno a preços populares, durante os meses de baixa temporada. O projeto tem o nome de ''Vai Brasil'' e poderá proporcionar bom resultado se os segmentos envolvidos realmente baixarem preços de forma a se nivelarem ''ao bolso do trabalhador'', como propõe o ministro. A economia se move por essas vias, que são as que fazem o dinheiro girar, embora o bolso do trabalhador seja realmente de pouca profundidade. Aquele que não tem emprego, este não tem nem bolso, e certamente que não está em seus planos fazer turismo. Ontem, neste jornal, a notícia anunciando o programa de estímulo ao turismo figurou ao lado de outra, mostrando pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que revela o pessimismo dos cidadãos brasileiros com as perspectivas de trabalho. Aparentemente, dois pontos em descompasso, mas será através de medidas que gerem dinamização de atividades, em cada setor, que se abrirão vagas de trabalho. O Ministério do Turismo está negociando com empresas de aviação, agências de viagens, pousadas, restaurantes, para que barateiem seus pacotes turísticos. Preços altos, no caso específico das viagens aéreas, têm se somado aos fatores que levaram empresas do ramo à falência, casos da Varig (só ela devedora de R$ 10 bilhões), da VASP, da Transbrasil. A proposta do ministro Mares Guia de baratear o turismo reforça a tese de que ganha-se mais vendendo por menos, porque o negócio cresce em volume. Analistas avaliam que as companhias aéreas não teriam entrado em colapso se adotassem essa política. Se o ganho dos brasileiros é baixo, há que criar serviços adequados ao seu poder aquisitivo, e isto será possível com gerenciamentos inteligentes, que eliminem o supérfluo e contemplem a eficiência. Se esta classe de consumidores passa a ter validade para um segmento como o do turismo não um gênero de primeira necessidade em nação ainda pobre há que se criar mais campos de acesso também a essa comunidade consumidora, de baixo consumo individual, mas que poderá ser volumoso no conjunto, se houver estímulo. As sofisticações ficam por conta das camadas que podem pagar. A roda do desenvolvimento move-se por impulsões várias. Uma delas o emprego regular e o bom ganho, a outra promover inventos como este do ministro, justamente para movimentar dinheiro e assim gerar trabalho e não necessariamente nessa ordem, porque nessa dimâmica uma coisa puxa a outra, não se podendo afirmar onde a roda tem começo. A proposta do ministro poderá estimular outros setores a seguir por esse roteiro.

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